A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. Em valores, o endividamento soma R$ 10,8 trilhões. É o percentual mais alto desde a pandemia de coronavírus, em 2021.

Em maio, o indicador estava em 81,1% do PIB — ou seja, houve alta de 0,8 ponto percentual em um único mês. A DBGG reúne as dívidas do governo federal e dos governos estaduais e municipais, mas exclui o Banco Central e as empresas estatais. É uma das referências usadas pelas agências globais de classificação de risco para avaliar a capacidade de solvência do país.

Já a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) ficou em 68,5% do PIB em junho, o equivalente a R$ 9 trilhões. Em maio, estava em 67,9%.

Juros pesam mais que o rombo primário

O setor público fechou junho com déficit primário de R$ 55,3 bilhões, alta de 17,4% em relação a junho de 2025.

Quando os juros entram na conta, o buraco cresce: o déficit nominal de junho foi de R$ 166 bilhões, contra R$ 108,1 bilhões no mesmo mês de 2025. Só as despesas com juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões no mês, ante R$ 61 bilhões um ano antes.

Em 12 meses, R$ 1,2 trilhão só de juros

No acumulado de 12 meses, o déficit primário chegou a R$ 157,2 bilhões, ou 1,19% do PIB. O déficit nominal no mesmo período somou R$ 1,3 trilhão, equivalente a 10% do PIB, e as despesas com juros alcançaram R$ 1,2 trilhão — 8,8% do PIB.

Segundo o Poder360, desde 2023, no governo Lula, a relação entre dívida e PIB subiu 10,2 pontos percentuais. Projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) citada pelo mesmo veículo indica que o indicador poderia atingir 115% em 2036.