A Fifa desistiu do plano de vender uma fatia de suas operações comerciais a investidores privados. O presidente da entidade, Gianni Infantino, confirmou o recuo em entrevista à emissora britânica Sky News nesta sexta-feira (31), depois de uma semana de reação negativa das confederações continentais.
Em comunicado, a Fifa afirmou que o projeto "criou divisões que impedem o cumprimento do objetivo original de unidade e fortalecimento do esporte". Infantino declarou que a iniciativa "criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo" e disse que agora pretende "reunir novamente todas as partes interessadas em um espírito de interesse comum pelo esporte".
O que era a FIFA Forward Enterprise
O plano previa a criação de uma subsidiária comercial — batizada de FIFA Forward Enterprise (FFE) — que permaneceria sob controle majoritário da Fifa, mas com 20% das ações vendidas ao setor privado. A empresa assumiria as atividades comerciais da entidade e a gestão dos principais torneios, entre eles a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
Em troca, os repasses anuais a cada federação nacional subiriam dos atuais US$ 8 milhões (cerca de R$ 41 milhões) para US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 102 milhões) no ciclo 2027-2030, com previsão de aumentos graduais nos ciclos seguintes. Havia ainda um programa opcional, o FIFA Fast Forward, que ofereceria outros US$ 20 milhões por federação, bancados por investimento externo. As federações tinham até 19 de setembro para aprovar a proposta.
A conta que não fechava
A resistência começou na Europa. A UEFA e suas 55 associações nacionais anunciaram que "não participarão nas competições da FIFA" caso os planos da FFE fossem mantidos. A Concacaf, que reúne América do Norte, América Central e Caribe, rejeitou o projeto por unanimidade, alegando falta de transparência, e a AFC, da Ásia, também se opôs publicamente.
Somadas, as três confederações representam 136 das 211 associações filiadas à Fifa — volume suficiente para inviabilizar a votação caso agissem em bloco. A Conmebol, da América do Sul, adotou postura mais diplomática e cobrou esclarecimentos, enquanto CAF (África) e OFC (Oceania) pediram reuniões de revisão.
Antes do recuo, a Fifa já havia reagido às críticas afirmando que ninguém estava vendendo o futebol e que essa não era uma hipótese que a entidade pudesse considerar. A Fifa acrescentou que, sem o apoio da maioria das associações-membro, suas atividades comerciais permaneceriam inalteradas e a FFE não seria criada.
O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter também se manifestou contra a proposta, advertindo que "o dinheiro nunca deve se tornar o único objetivo". Segundo Infantino, a entidade seguirá buscando o crescimento do futebol por caminhos que não gerem a fragmentação vista nesta semana.














