Os preços da gasolina, do etanol e do diesel S-10 caíram nos postos brasileiros em julho, segundo levantamento da ValeCard divulgado nesta sexta-feira (31). A empresa de soluções de mobilidade analisou as transações feitas entre 1º e 26 de julho em mais de 25 mil postos credenciados em todo o país.

O etanol liderou a queda: o preço médio recuou 1,93%, de R$ 4,451 para R$ 4,365 o litro — uma diferença de R$ 0,086. O diesel S-10 caiu 1,40%, de R$ 7,298 para R$ 7,196. Já a gasolina teve o recuo mais tímido, de 0,44%, passando de R$ 6,851 para R$ 6,821 o litro.

Para Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, "o mercado encontrou um equilíbrio maior, refletindo nos preços". Ele afirmou ainda que o etanol "amplia as oportunidades de redução dos custos de abastecimento".

Onde o etanol vale mais a pena

O etanol costuma compensar quando custa até 70% do valor da gasolina. Por esse critério, o biocombustível saiu na frente em 13 estados e no Distrito Federal em julho. As menores paridades apuradas foram as de Mato Grosso (57%), Roraima (58%), São Paulo (60%), Amapá (61%), Mato Grosso do Sul (62%), Goiás (63%) e, empatados, Distrito Federal e Paraná (64%).

Pela conta com os preços médios nacionais do próprio levantamento, o etanol fechou julho a cerca de 64% do preço da gasolina no país. O litro do biocombustível saiu mais barato em São Paulo (R$ 3,974) e mais caro no Acre (R$ 5,321).

Gasolina: do R$ 6,42 gaúcho ao R$ 8,13 de Roraima

No caso da gasolina, o contraste regional é grande: o menor preço médio foi registrado no Rio Grande do Sul (R$ 6,420) e o maior em Roraima (R$ 8,127). As quedas mais fortes vieram do Distrito Federal (-3,69%) e da Bahia (-1,46%), enquanto Amazonas (+3,71%) e Maranhão (+1,67%) ficaram na contramão, com alta.

Uma segunda pesquisa aponta na mesma direção, com recorte diferente. O Índice de Preços Ticket Log (IPTL), da Edenred Ticket Log, mediu a primeira quinzena de julho e encontrou etanol hidratado a R$ 4,29 (-2,28%), gasolina a R$ 6,77 (-0,44%) e diesel comum a R$ 6,87 (-2,14%). Por usarem amostras, tipos de combustível e períodos distintos, os dois levantamentos não são diretamente comparáveis.

No release do IPTL, Vinicius Fernandes, diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, observou que "o barril do Brent acumulou alta de quase 10%" e alertou para uma possível pressão de preços vinda de conflitos no Oriente Médio. O documento também associa o recuo do etanol à moagem de cana-de-açúcar a pleno vapor e ao crescimento da produção do biocombustível a partir do milho.