O Progressistas (PP) anunciou nesta sexta-feira (31) que ficará neutro na eleição presidencial deste ano e que não convocará convenção nacional para indicar candidatos à Presidência e à Vice-Presidência. A decisão foi divulgada em nota oficial no site do partido, assinada pela Direção Nacional.

"O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional", diz o texto. A nota acrescenta que "a decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina".

O que muda para a chapa de Flávio Bolsonaro

Sem a convenção nacional — instância que, segundo o próprio partido, costuma formalizar as posições eleitorais —, o PP não indicará candidatos à Presidência nem à Vice-Presidência. Segundo a Agência Brasil, a decisão frustra os planos do PL de ter a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice, depois de Flávio Bolsonaro ser oficializado como candidato à Presidência pelo partido.

A movimentação vinha sendo desenhada desde a segunda quinzena de julho. Em 22 de julho, após reunião da cúpula partidária em Brasília, o PP já havia decidido não apoiar oficialmente nenhum candidato ao Planalto, encerrando as negociações de aliança com a campanha de Flávio Bolsonaro, que havia oferecido a vaga de vice à senadora. O partido é presidido por Ciro Nogueira.

Diretórios estaduais ganham autonomia

A neutralidade no plano nacional não impede acordos regionais. Pela decisão, os diretórios estaduais ficam livres para "conduzir suas articulações políticas de acordo com as realidades locais, respeitando as alianças construídas em cada estado" — ou seja, o partido pode apoiar candidatos diferentes de estado para estado.

Segundo a legenda, "a maioria das lideranças estaduais se manifestou favoravelmente à neutralidade da sigla", o que levou o comando nacional a abrir mão da convenção que costuma formalizar as posições eleitorais.

A expectativa é de que o União Brasil, federado ao PP no plano nacional, adote postura semelhante — cenário que levaria a campanha de Flávio Bolsonaro a concentrar esforços na busca de apoio do Republicanos. Do outro lado, o presidente Lula mantém o cenário de apoios já confirmados por PCdoB e Partido Verde.