Empresas estatais chinesas compraram cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos na sexta-feira (31), aproveitando a queda nos preços da commodity antes da visita do presidente Xi Jinping aos EUA, prevista para 24 de setembro. A operação, revelada pela agência Reuters, intensifica a disputa entre americanos e brasileiros pelo mercado chinês de soja.
As compras foram feitas principalmente pela Sinograin, estatal chinesa de reservas estratégicas de grãos, e somaram entre 14 e 16 carregamentos, cada um com cerca de 65 mil toneladas. Os embarques estão programados para outubro, com saída pelos portos do Golfo dos Estados Unidos e do Noroeste do Pacífico. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, os compradores chineses pagaram um prêmio de até US$ 3,03 por bushel acima do contrato negociado na Bolsa de Chicago.
Por que a China está comprando dos EUA agora?
A operação ocorre em meio ao compromisso assumido pela China com os Estados Unidos, anunciado pela Casa Branca em outubro, de comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até o fim de 2028. Antes das compras da sexta-feira, a China havia adquirido pouco mais de 4 milhões de toneladas dos EUA em todo o ano de 2026 — bem abaixo da meta anual. A proximidade da viagem de Xi Jinping aos Estados Unidos, no fim de setembro, também pesou na decisão, segundo um operador do setor ouvido pela reportagem.
Como isso afeta o Brasil?
O Brasil segue como o principal fornecedor de soja para a China e mantém vantagem de preço sobre os Estados Unidos: os embarques brasileiros para o mercado chinês continuam mais baratos que os americanos, segundo traders ouvidos pela Reuters. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta recorde de 115,4 milhões de toneladas de soja exportadas pelo Brasil em 2026, após um primeiro semestre também recorde, com 69,58 milhões de toneladas escoadas — alta de 7,13% sobre o mesmo período de 2025. A China respondeu por 70% de toda a soja exportada pelo Brasil entre janeiro e maio.
A chinesa Sinograin também leiloou, na sexta-feira, cerca de 252 mil toneladas de soja importada de sua reserva estratégica, a um preço médio de US$ 597,81 por tonelada, para abrir espaço nos estoques à chegada da nova carga americana. A estatal já sinalizou um novo leilão de 501 mil toneladas para a semana seguinte.














