A China quer reduzir em até 25% suas importações de soja até 2030, corte de cerca de 23,5 milhões de toneladas, segundo relatório da consultoria Systemiq. Segundo o site The AgriBiz, o país compra 71% de toda a soja e mais da metade da carne bovina que o Brasil exporta.

A meta está no 15º Plano Quinquenal chinês (2026-2030), aprovado em outubro passado, que elevou a segurança alimentar a prioridade de Estado para o horizonte de 2035.

O documento estabelece metas para ampliar a produção interna de grãos, aumentar a autonomia em sementes agrícolas e desenvolver novas alternativas de proteína. Uma delas é elevar para 85% a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas.

Em 2025, o Brasil faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês, segundo o site The AgriBiz.

O agro brasileiro está dividido sobre o risco

Os dois lados do agronegócio brasileiro reagem de formas opostas ao plano chinês. Segundo o diretor executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, o país tem condições de absorver a redução prevista nas importações de soja, hoje estimada em cerca de 25% entre 2026 e 2035.

Para Rosa, o corte não deve provocar mudança brusca no mercado. Ele pode ser compensado com a diversificação dos destinos de exportação, o aumento da demanda interna e o avanço da industrialização da soja.

Já o presidente da Abiec, associação da indústria de carne bovina, vê o cenário com mais cautela.

"Não há mercado que substitua a China", afirmou Roberto Perosa. A entidade projeta queda de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026.

O mesmo plano chinês, portanto, é lido de formas opostas pelos dois lados do agro brasileiro. Enquanto os produtores de grãos apostam na diversificação, a pecuária de corte vê no mercado chinês um parceiro sem substituto à vista.

Quanto desse corte vai mesmo se confirmar

As duas leituras do agro brasileiro têm em comum uma incerteza. O plano chinês estica até 2030 e 2035, prazo longo o bastante para a diversificação defendida pela Aprosoja ser testada na prática.

Já para a pecuária, que não vê alternativa parecida ao mercado chinês, a pergunta é se esse tempo é suficiente para se adaptar.