A tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quinta-feira (6), após decreto assinado por Donald Trump que soma uma taxa adicional de 40% aos 10% já cobrados. Café e carne bovina, os principais produtos de exportação do Brasil aos EUA depois do petróleo, ficaram fora das isenções concedidas a outros setores.

No decreto, Trump justifica a medida como resposta a uma "emergência nacional" e cita "perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de decisões monocráticas do ministro Alexandre de Moraes desde 2019, que a Casa Branca descreve como forma de "ameaçar, mirar e intimidar milhares de opositores políticos". A base legal usada foi o International Emergency Economic Powers Act, lei americana de 1977.

Como o Brasil reagiu

O Itamaraty já pediu consultas formais à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida americana. O governo também orientou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a avaliar, em até 30 dias, se pode usar a Lei de Reciprocidade Econômica para retaliar os EUA — decisão que passaria por consulta pública com empresas e setores afetados. O presidente Lula afirmou estar "sem pressa" para retaliar, priorizando a via da negociação.

Café e carne já ficam mais baratos no Brasil

Entre julho e agosto, o preço do café caiu 4,6% (para R$ 76,40 o quilo) e o da carne bovina recuou 0,8% (para R$ 34,58 o quilo) no atacado brasileiro, segundo levantamentos citados pelo governo. A explicação é que parte da produção que seguiria para exportação está sendo redirecionada ao mercado interno, aumentando a oferta local. Nos Estados Unidos, o efeito é o oposto: o Brasil responde por cerca de 33% do café e 20% da carne bovina consumidos no país, e a tarifa deve encarecer os produtos para o consumidor americano.