O modelo econômico do presidente argentino Javier Milei entrou no centro do debate presidencial brasileiro. No debate da Band, em 18 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perguntou ao senador Flávio Bolsonaro (PL) se pretende aplicar o ajuste no Brasil.

Flávio não respondeu diretamente sobre Milei. Em vez disso, rebateu citando os laços de Lula com o venezuelano Nicolás Maduro e o nicaraguense Daniel Ortega, segundo o Itatiaia.

A troca resumiu a dinâmica do debate. Cada lado atacou o alinhamento internacional do adversário, sem detalhar o que faria de diferente na economia brasileira.

Milei assumiu o governo argentino em dezembro de 2023 com o chamado Plano Motosserra, de corte profundo de gastos públicos, fim de subsídios, desvalorização do peso e desregulamentação. Quase três anos depois, os números do ajuste dividem opiniões.

Os números que melhoraram na Argentina

A inflação e as contas públicas melhoraram. A Argentina passou a arrecadar mais do que gasta e voltou a registrar saldos positivos no comércio exterior. A inflação anual caiu de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, o menor nível em oito anos.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), o IPC argentino subiu 1,9% em setembro de 2026 ante agosto, acelerando frente à alta de 1,7% do mês anterior. No acumulado do ano, a inflação chegava a 23,6% até setembro.

Em 2024, primeiro ano completo de Milei no poder, a bolsa argentina (S&P Merval) acumulou alta de quase 115% em dólares, e o PIB do país cresceu 4,4% em 2025.

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O custo social do ajuste

Pesa contra o ajuste o avanço da pobreza e do desemprego, que voltaram a subir nos últimos meses. Desde o início da gestão Milei, mais de 32 mil empresas fecharam ou deixaram de ter funcionários registrados, segundo os dados mais recentes citados pelo g1.

A dificuldade do governo argentino para acumular reservas em dólar e a desvalorização do peso pesaram sobre o humor do mercado financeiro, mesmo com o apoio declarado do presidente americano Donald Trump.

É esse contraste entre ajuste fiscal bem-sucedido e desgaste social que alimenta o debate sobre se o modelo de Milei serve de espelho para o Brasil.

Milei já tomou partido explícito na eleição brasileira. Em outubro, chamou Lula de ditador comunista e apostou na vitória de Flávio, e reagiu nas redes assim que foi citado no debate da Band.

O que acontece agora

Lula e Flávio voltam a se encontrar nesta sexta-feira (23/10), em debate na TV Globo, depois de Flávio ter confirmado presença no primeiro confronto no início do mês.

O 2º turno das eleições presidenciais será decidido no domingo (25/10), quando o eleitor escolhe entre os dois modelos de governo apresentados nos debates.