O papa Leão XIV embarca, na sexta-feira (6 de novembro), para a mais longa viagem do seu papado: 12 dias pela América Latina, com passagens por Uruguai, Argentina e Peru, menos de um mês depois de uma cirurgia para retirar um câncer de pulmão.

A viagem termina em 17 de novembro, depois de 47 horas de voo e passagens por 15 cidades. Leão XIV, de 71 anos, deve reunir multidões em estádios e rezar nove missas ao longo do trajeto.

Por que o papa manteve a viagem

Leão recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão em 13 de outubro, após cirurgia para retirar um nódulo. Uma semana depois, exames mostraram que o tumor era localizado e que ele não precisaria de tratamentos adicionais, já com o lobo inferior do pulmão retirado.

Mesmo assim, o papa manteve as datas e não alterou o itinerário divulgado em setembro. O roteiro inclui viagens quase diárias após a alta da cirurgia e uma passagem de mais de 3 horas em Cusco, no Peru, cidade a 3.400 metros de altitude.

O que está em jogo em cada país

Na Argentina, o papa encontra o presidente Javier Milei, que insultou o papa Francisco e o chamou de comunista antes de se reconciliar. A Igreja segue crítica aos efeitos da austeridade do governo argentino sobre os mais vulneráveis.

No Uruguai, apenas 1 em cada 3 habitantes se declara católico, em um país oficialmente laico desde 1919. No Peru, onde foi bispo por mais de 20 anos, Leão XIV reencontra a presidente Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori.

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A viagem ao Peru também reabre uma cobrança dentro da própria Igreja: vítimas de abuso do Sodalício de Vida Cristã, grupo religioso dissolvido pelo Vaticano, seguem pedindo justiça.

O ponto em aberto

O Vaticano apresenta a viagem como uma tentativa de superar polarizações sociais e promover reconciliação. A pergunta é se o gesto atravessa fronteiras tão diferentes: a Argentina de Milei, o Uruguai laico e o Peru dividido entre lembranças do papado local e cobranças por justiça.

É uma região que vive sua própria disputa entre polarização política e mudança religiosa: as Américas concentram 47,7% da população católica mundial, segundo o Anuário Pontifício 2026, mesmo com o avanço de evangélicos, ateus e pessoas sem religião.