Dois servidores da Prefeitura de Tacuru (MS) confessaram ter gravado os áudios que ameaçavam envenenar a água de uma aldeia indígena, e o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) gravou vídeo de desculpas. Uma força-tarefa federal apura dez casos de violência contra indígenas após a eleição.
Os dois funcionários municipais alegaram estar embriagados quando gravaram as mensagens e disseram não ter meios de executar a ameaça. Ambos foram afastados do cargo, mesma medida tomada dias antes contra o primeiro servidor apontado no caso, e respondem a processo disciplinar.
Um mal-entendido, mal expresso num momento de empolgação, talvez por causa do álcool.
A frase é do prefeito Rogério Torquetti (PSDB), em vídeo publicado depois da repercussão do caso.
A ameaça mira a Aldeia Sassoró, em Tacuru, no sul do estado, onde vivem famílias Guarani e Kaiowá. Dias antes, a casa da rezadeira Ñandesy Roberta, 90 anos, foi incendiada na aldeia Jaguapiré, também no município, destruindo instrumentos sagrados do povo.
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O que a força-tarefa apurou até agora
A força-tarefa reúne Polícia Federal, PRF e Funai, e examina dez casos de violência contra indígenas desde a reeleição de Lula, em 25 de outubro. Quatro deles estão concentrados em Mato Grosso do Sul, o estado com mais denúncias.
Nem todos os casos são tratados como violência política. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que os demais casos "estão em exame preliminar e não podem ser classificados como violência política".
Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), já são mais de 30 casos de violência ligados à eleição no estado, incluindo incêndios, atropelamentos e ameaças de morte. A entidade cobra que as autoridades investiguem todos os episódios.
A TV Sim Brasil já havia mostrado as primeiras denúncias de ameaças em Tacuru, dias antes de a Prefeitura afastar o primeiro servidor apontado no caso.
No sábado, Lula enviou três ministros a Mato Grosso do Sul, e a comitiva visitou aldeias indígenas em Coronel Sapucaia e Tacuru. A Força Nacional atua por 90 dias nas aldeias da região.
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Em Tacuru, Lula venceu com 3.189 votos contra 1.939 de Flávio Bolsonaro, 62% dos votos válidos no mesmo município onde ocorreu a ameaça.
O recuo do ministério em classificar a maioria dos casos como violência política contrasta com a mobilização de três ministros ao estado no mesmo fim de semana.
O que acontece agora
A Polícia Federal mantém monitoramento nas delegacias do país, e o MPF em Mato Grosso do Sul segue apurando os casos. O ministério encerrou o canal unificado de denúncias nesta semana, por excesso de mensagens sem relação com o tema.

































