O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou neste domingo (6) que o ICL Notícias e a Meta retirem do ar seis publicações sobre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). As publicações diziam que ele chamou o banqueiro Daniel Vorcaro de "lindão", e a decisão atende parte de um pedido de direito de resposta do deputado.

Segundo a decisão do juiz auxiliar Jair Francisco dos Santos, o áudio mostrado pela reportagem não confirma o termo. Nikolas se refere ao banqueiro como "Dani" ao longo de toda a gravação e encerra a mensagem assim:

Um abração aí, Dani.

A ICL havia publicado a reportagem em 3 de setembro, com o título "Em áudio, Nikolas chama Vorcaro de 'lindão' e pede liberação de ativo de minério". Segundo o site, a gravação é de 30 de março de 2025.

Nela, o deputado pede que Vorcaro ajude seu assessor, Thiago Rodrigues Faria, a liberar um ativo de minério que, segundo o próprio áudio, já teria passado pela "ficha técnica".

Nikolas nega a versão da ICL. "Obviamente colocaram de forma falsa na manchete para induzir uma relação que nunca tive com Vorcaro", declarou o deputado.

O parlamentar também afirmou: "Eu não falo 'lindão' hora nenhuma". A decisão do TRE-MG confirma essa versão quanto ao trecho final do áudio.

O Metrópoles procurou o ICL Notícias para comentar a decisão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Dois vídeos de análise sobre o caso, dos jornalistas Juliana Dal Piva e Xico Sá, foram preservados pela decisão por terem caráter opinativo.

Relembre o caso

Este é o segundo capítulo da disputa. Em 4 de setembro, Nikolas já havia confirmado contato com Vorcaro, mas negado irregularidade no episódio.

Dias depois, a Polícia Federal desmentiu um laudo que o deputado usou para se defender de outra polêmica, ao concluir que a prova era uma imagem gerada por inteligência artificial.

O jornal O Globo revelou em março deste ano que Nikolas usou, por dez dias, em outubro de 2022, um avião que pertencia a Vorcaro. Foi um período em que o deputado fazia campanha pela reeleição do então presidente Jair Bolsonaro.

O banqueiro é hoje alvo de investigações ligadas ao rombo de R$ 56 bilhões que colocou o Master no centro de uma crise política.

A ordem desta manhã é liminar e resolve apenas a remoção imediata do conteúdo. O mérito da disputa sobre o termo ainda depende de decisão final, depois que a ICL apresentar defesa.

O que acontece agora

O ICL Notícias e a Meta têm 24 horas, a partir da decisão, para retirar as seis publicações do ar.

Em seguida, o ICL terá o mesmo prazo para apresentar defesa, e o Ministério Público Eleitoral terá 24 horas para se manifestar sobre o pedido de direito de resposta de Nikolas. A decisão não prevê multa em caso de descumprimento.