Os Correios desistiram nesta sexta-feira (18) de negociar diretamente com o sindicato dos trabalhadores e vão apostar no julgamento do dissídio coletivo marcado para a próxima segunda-feira (21), no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A greve nacional da categoria já dura oito dias.

Segundo a estatal, o pedido de dissídio no TST alega necessidade de conter despesas em meio ao plano de reestruturação da empresa. De acordo com os Correios, 89% das receitas são hoje direcionadas ao pagamento de salários e benefícios.

A empresa afirma que isso tornaria inviável qualquer recuperação financeira sem mudanças no acordo coletivo. O julgamento está marcado para as 13h30 de segunda (21), sob a presidência do ministro Vieira de Mello Filho.

A sessão decide também o impasse sobre o plano de saúde dos empregados. Um dos poucos pontos de consenso é o reajuste salarial de 4,35% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), retroativo a 1º de agosto.

As demandas da empresa vão além do reajuste. Entre as mudanças propostas para o novo acordo coletivo estão:

  • Adicional de férias de 1/3, no lugar dos atuais 70%
  • Pagamento de horas extras pela regra da CLT, e não mais em 200%
  • Fim do abono conhecido como "vale peru", com a alegação de prejuízos recorrentes
  • Volta do registro de ponto eletrônico
  • Retomada do cálculo de dimensionamento de unidades, que compara demanda e capacidade instalada
  • Fim da condição de mantenedora do plano de saúde, hoje responsável por provisões de quase R$ 600 milhões

Do lado dos trabalhadores, a resposta foi manter a paralisação. Em assembleia, a categoria decidiu, por votação unânime, manter a greve e cobrar que a empresa reabra a negociação antes da audiência de conciliação do dissídio.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Findect) orientou os sindicatos filiados a manter e ampliar a mobilização. O Sintect-SP convocou uma passeata em São Paulo para reforçar a pressão sobre a estatal.

O que acontece agora

O TST julga o dissídio coletivo nesta segunda-feira (21), às 13h30, sob a presidência do ministro Vieira de Mello Filho. A decisão passa a valer como parâmetro para salário e plano de saúde da categoria, já que os Correios encerraram a negociação direta.

Enquanto aguarda o julgamento, a estatal mantém a aposta de destravar o empréstimo de R$ 7 bilhões junto a um grupo de bancos, com garantia da União.

A direção considera o recurso decisivo para o plano de reestruturação em meio ao prejuízo acumulado de R$ 5,6 bilhões em 2026. A garantia da União para o crédito bilionário já havia sido pedida antes de a categoria entrar em greve.

Desde o início da paralisação, o TST também determinou que a empresa mantenha 80% do efetivo em atividade. Sem acordo direto, é a Justiça do Trabalho quem passou a decidir o ritmo da crise entre a estatal e a categoria.

A paralisação já é a segunda fase do braço de ferro: os Correios ampliaram a greve na semana passada, à espera de uma saída no TST que até agora não veio.