O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu dinheiro de aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pedido cita a Rockbridge Network, rede de financiadores ligada ao vice-presidente americano J.D. Vance.

A legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento, direto ou indireto, de recursos estrangeiros para financiar campanha. Lindbergh, vice-líder do governo na Câmara, protocolou uma notícia de fato nesta segunda-feira (14), pedido formal para que o STF apure o caso.

O pedido chega em meio à ascensão de Flávio nas pesquisas: ele aparece à frente de Lula pela 1ª vez na simulação de 2º turno, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda.

Quem fez a acusação

A suspeita nasceu de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, que acusou Flávio de receber dinheiro da Rockbridge Network. A rede foi fundada pelo vice-presidente J.D. Vance e pelo empresário Chris Buskirk, sócio de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente americano.

Segundo a acusação, dois empresários brasileiros, Tallis Gomes e Pedro Sang, teriam intermediado o repasse entre a campanha de Flávio e integrantes da Rockbridge.

Tallis Gomes negou o episódio em nota: "Nunca houve, por meu intermédio ou com meu conhecimento, qualquer recurso estrangeiro destinado a campanha eleitoral no Brasil."

Pedro Sang disse nunca ter integrado formalmente a Rockbridge. Segundo ele, soube da iniciativa em outubro de 2025, por meio de André Marinho, mas ela nunca avançou e está suspensa desde maio.

A cronologia que embasa o pedido

A notícia de fato de Lindbergh cita três datas: em 19 de março, foi criado um documento de apresentação da articulação; em 28 de março, Flávio discursou na CPAC, nos EUA, sobre as necessidades minerais americanas; em 13 de abril, Marinho se reuniu com Vance.

A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada e não respondeu até a publicação desta reportagem. Flávio não é investigado nem denunciado formalmente até o momento.