O candidato à Presidência Pablo Marçal (PRTB) pediu ao TSE a correção da própria declaração de bens. Ele havia informado patrimônio de R$ 7,4 bilhões ao registrar a candidatura, no sábado (15), e corrigiu o valor para R$ 149,9 milhões na noite de segunda-feira (17), uma diferença de quase 50 vezes.

"Equívocos meramente materiais, de digitação", escreveu a defesa de Marçal na petição enviada ao TSE. A campanha não detalhou como um erro de digitação inflou o valor em bilhões de reais.

De onde vem o novo valor declarado

Do patrimônio corrigido, R$ 112,9 milhões vêm de participações societárias. O maior item é uma fatia de 80% na Aviation Participações Ltda., avaliada sozinha em R$ 80 milhões. O restante do patrimônio está dividido entre fundos de investimento, aplicações em renda fixa, quatro imóveis e dinheiro guardado em contas correntes.

O valor agora declarado está próximo do patrimônio que Marçal informou em 2024, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo: R$ 169,5 milhões. A proximidade entre os dois números reforça a versão de que os R$ 7,4 bilhões do sábado foram mesmo um erro, e não uma tentativa de inflar o patrimônio.

A candidatura segue sub judice

Marçal está formalmente inelegível até 2032. Em julho de 2025, ele foi condenado pela terceira vez em processos sobre a campanha de 2024, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo. Os sete integrantes do TRE-SP mantiveram a condenação por unanimidade.

O caso envolve os chamados "campeonatos de cortes": a campanha de Marçal pagava apoiadores para editar e publicar, em diferentes redes sociais, vídeos que ampliavam o alcance da candidatura, com recompensa vinculada ao desempenho de cada postagem. Para o TRE-SP, a prática caracterizou abuso de poder político e econômico.

Ele só disputa a eleição de 2026 por causa de uma liminar que reconheceu sua filiação ao PRTB com data retroativa a 4 de abril, cumprindo o prazo mínimo de seis meses exigido por lei. É parte da guerra jurídica que a campanha trava para viabilizar a candidatura: a liminar tratou só da filiação partidária, sem anular as condenações nem afastar a inelegibilidade.

Cabe agora ao TSE decidir, até 14 de setembro, se essas condenações impedem a candidatura de seguir no páreo. Até essa data, Marçal pode continuar em atos de campanha normalmente.

A diferença entre os dois valores declarados passa de 4.800%. Foram dois dias, entre o registro da candidatura no sábado e o pedido de correção na segunda-feira à noite, para o patrimônio bilionário virar milionário nos sistemas do TSE.