As eleições de 2026 têm 407 candidatos que se autodeclararam LGBTQIA+, o equivalente a 2% do total de 20.438 registrados, segundo o TSE. É a primeira eleição geral em que a Justiça Eleitoral pergunta a orientação sexual no registro de candidatura.
Entre os 407, bissexuais são a maior fatia, com 150 candidatos. Em seguida vêm gays (134), lésbicas (86), pansexuais (26) e assexuais (11).
Outros 53 candidatos registraram nome social, o nome pelo qual pessoas trans e travestis preferem ser chamadas no dia a dia, em vez do nome de registro civil.
Por que o dado é opcional, não obrigatório
A pergunta sobre orientação sexual foi criada pela Resolução do TSE nº 23.754, de 2 de março de 2026. O campo é de preenchimento opcional, não obrigatório, e é a primeira vez que a Justiça Eleitoral coleta essa informação numa eleição geral.
Isso ajuda a explicar por que 9.160 candidatos, ou 44,8% do total, optaram por não informar a orientação sexual no registro. Só 10.871 (53,2%) se declararam heterossexuais.
Na prática, os 407 LGBTQIA+ autodeclarados são um piso, não o número real. Não há como saber quantos dos candidatos que preferiram não informar também se identificam como LGBTQIA+.
Onde a representação é maior
A concentração proporcional mais alta está em partidos pequenos de esquerda: no União Popular (UP), 14,9% da própria chapa é LGBTQIA+. No PC do B, 8,2%.
Em número absoluto, porém, quem mais tem candidatos gays e lésbicas é o PT, com 40 (21 gays e 19 lésbicas), seguido pelo PSOL, com 39 (32 gays e 7 lésbicas).
Do outro lado, PCB, PCO e PRTB não registraram nenhum candidato autodeclarado LGBTQIA+ nesta eleição.
O contraste mostra dois jeitos diferentes de medir representação: pela fatia que o grupo ocupa dentro do próprio partido, ou pelo tamanho absoluto da bancada de candidatos. Os dois números contam histórias diferentes sobre onde a representatividade é mais forte.
Quantos desses candidatos chegam a se eleger
Os 407 candidatos autodeclarados são registros, não mandatos. A pergunta que fica para outubro é quantos deles vão ocupar cadeiras depois do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e se esse número muda o perfil dos parlamentos em relação ao que existe hoje.























