As vendas de máquinas agrícolas no Brasil caíram 17,9% no primeiro quadrimestre de 2026, para R$ 17,07 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Diante da retração, fabricantes como CNH, Ihara e Solinftec apostam em máquinas e insumos mais tecnológicos para reagir.

Por que as vendas caíram

Segundo a Abimaq, a receita líquida do setor somou R$ 4,21 bilhões só em abril. Nos três primeiros meses do ano, a queda já era de 16,4%. A entidade projeta um recuo de 8% para o ano inteiro de 2026.

A retração também apareceu nas duas maiores vitrines do setor. Na Agrishow, em Ribeirão Preto, encerrada em maio, as intenções de negócio somaram R$ 11,4 bilhões, queda de 25% frente aos R$ 15,2 bilhões de 2025. Foi a primeira redução em 11 anos na feira.

Na Tecnoshow, a queda foi de 30% em relação ao faturamento de R$ 10 bilhões registrado em 2025.

Juros de 14% ao ano, o dólar mais fraco, o aumento do custo de diesel e fertilizantes e a concorrência mais forte de máquinas chinesas estão entre as causas apontadas pela indústria.

Eduardo Kerbauy, vice-presidente de Marketing da CNH, disse: "O mercado cíclico faz parte da agricultura".

Nem todo o setor recua no mesmo ritmo. O mercado de tratores caiu de 52.941 unidades vendidas em 2021 para 46.700 atualmente. Mas o segmento de até 100 cv, o de menor porte, foi na direção oposta.

Essas máquinas menores cresceram 4,3% no mesmo período, de 30.108 para 31.403 unidades vendidas.

Pedro Estêvão, presidente da câmara setorial de máquinas e implementos da Abimaq, afirmou que "o produtor rural que enfrenta dificuldades usará os recursos disponíveis para custeio", em vez de trocar de equipamento.

A resposta da indústria: mais tecnologia

Fabricantes apresentaram lançamentos voltados a reduzir custo e ampliar produtividade. A Miac, das Indústrias Colombo, trouxe um implemento para colheita de pimenta-do-reino. A Solinftec apostou nos robôs autônomos Solix XT e Solix XC.

A Toledo lançou um medidor de umidade de grãos, a Yanmar apresentou tratores cabinados e a Liu Gong exibiu trator de esteiras, carregadeira elétrica e manipulador telescópico.

A Ihara lançou o herbicida Yamato. Michel Tomazela, engenheiro agrônomo e gerente de marketing regional de cana da empresa, descreveu o produto: "É um produto muito versátil. O grande ponto é um longo residual".

A queda nas vendas de máquinas acompanha o pior momento de margem do produtor rural mesmo com a safra recorde de grãos, o que ajuda a explicar por que o produtor está adiando a troca de equipamentos.

O que o crescimento dos tratores pequenos ainda não responde

Fica em aberto se o avanço dos tratores de até 100 cv é passageiro, ligado ao crédito mais caro para as máquinas maiores, ou se sinaliza uma mudança duradoura no perfil de compra do produtor brasileiro.