A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, travou o pedido do Vasco de um empréstimo de até R$ 150 milhões. Antes de liberar o dinheiro, ela exige um relatório de auditoria sobre a gestão financeira do clube, que está em recuperação judicial.

"Não serão admitidos novos endividamentos enquanto não realizada a auditoria e apresentado, ao menos, o relatório sumário", diz a decisão da juíza.

O empréstimo pedido é do tipo DIP (debtor-in-possession), modalidade usada por empresas em recuperação judicial para levantar caixa novo com prioridade de pagamento sobre outras dívidas.

A empresa escolhida para a auditoria, a ICTS Global, tem 15 dias corridos para entregar um relatório sobre os fluxos de aprovação de investimentos do clube desde janeiro deste ano.

O trabalho vai examinar também governança, controles internos e as operações de compra e venda de jogadores.

Até a entrega desse relatório, nenhum novo endividamento acima de R$ 5,9 milhões pode ser contraído.

Por que o prazo pode custar caro ao Vasco

Faltam 24 dias para o fim da janela de transferências. Com o processo podendo levar até 30 dias, o dinheiro do empréstimo corre o risco de só chegar depois que a janela já tiver fechado.

O pedido havia sido feito à Justiça na semana passada, com o Vasco alertando que o caixa disponível poderia se esgotar em poucos dias. O financiador proposto é a Almirante Participações, do empresário Marcos Lamacchia, que negocia a compra de 90% da SAF vascaína.

A proposta prevê desembolso ao longo de um ano, juros atrelados à Selic e vencimento em dezembro de 2027.

Nos últimos meses, o Vasco já recorreu a outras fontes de caixa: R$ 80 milhões de financiamento em 2025, R$ 120 milhões pela venda do volante Rayan ao Bournemouth e mais R$ 40 milhões em empréstimo adicional. Mesmo assim, o clube diz que os recursos têm sido insuficientes.

A pressão que vem do rival

O caso acontece dias depois de o Flamengo acionar a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol para questionar a situação financeira do Vasco. O rubro-negro defende regras mais rígidas de fair play financeiro, incluindo a proibição de clubes em recuperação judicial contratarem reforços com pendências em aberto.

A auditoria determinada pela juíza vai além deste empréstimo específico: ela abre toda a gestão financeira do Vasco em 2026 ao escrutínio judicial.

Qualquer movimentação financeira relevante do clube já precisa passar pelo aval de dois interventores, do Ministério Público e da própria juíza. É esse colegiado que deixa o processo mais sujeito a atrasos.