O Ibovespa fechou nesta terça-feira (18) aos 166.334,86 pontos, queda de 0,27% e a 11ª sessão seguida no negativo, a pior sequência de perdas em meses. O dólar subiu 0,40%, cotado a R$ 5,22, pressionado por juros altos nos Estados Unidos e pela tensão entre Washington e Teerã.

Por que a bolsa está caindo há 11 dias

Analistas apontam uma combinação de fatores por trás da sequência: incertezas fiscais, o cenário eleitoral em torno da PEC do fim da escala 6x1, tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, e a retirada de investimentos estrangeiros de mercados emergentes.

Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, afirmou: "O Ibovespa segue em tendência de baixa, sem perspectiva de alta no curto prazo."

"A extensão e a intensificação do confronto entre Estados Unidos e Irã não ajuda o investidor estrangeiro a alocar recursos em países emergentes como o Brasil", completou o analista.

Em 13 de agosto, cinco pregões atrás, a sequência já somava oito quedas seguidas. Passou a onze em apenas mais três dias úteis de negociação.

Entre os fatores domésticos observados pelo mercado está a tramitação da PEC do fim da escala 6x1, além do noticiário eleitoral com a proximidade do primeiro turno, em outubro.

Nem tudo cai junto

A queda do índice não é uniforme entre as ações que o compõem. A Petrobras, a de maior peso no Ibovespa, subiu no pregão desta terça.

PETR3 avançou 0,15% e PETR4, 0,31%, puxadas pela alta do petróleo Brent, que segue acima de US$ 91 o barril.

O minério de ferro também avançou na Bolsa de Dalian, na China. O movimento sugere que a queda do índice tem mais a ver com saída de capital estrangeiro do mercado brasileiro como um todo do que com o desempenho das empresas individualmente.

Queda do mês ou ano ainda positivo

No acumulado de agosto, o Ibovespa perde 6,30%. No acumulado de 2026, porém, o índice ainda sobe 3,98%.

São duas leituras do mesmo número. Uma olha a pior sequência de perdas em meses; a outra nota que agosto devolve parte de um rali do primeiro semestre, sem apagar o ano.