Pablo Marçal (PRTB) declarou ao TSE um patrimônio de R$ 7,4 bilhões ao registrar candidatura à Presidência, na sexta-feira (15), último dia do prazo. Dois dias depois, ele disse que o valor está errado e afirmou que o patrimônio real é bem menor.

O valor declarado é 43,77 vezes maior do que o patrimônio informado por Marçal em 2024, quando ele concorreu à Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, ele declarou R$ 169,5 milhões.

"É óbvio que é um erro de digitação", disse Marçal em entrevista ao canal Brasil Paralelo.

Ele deu o valor que considera correto. "Tenho uma notícia triste para todo mundo: de 2024 para 2026 o meu patrimônio caiu. O valor correto é R$ 149 milhões", completou.

Questionado pelo jornal Estadão, o candidato confirmou o erro e disse já ter pedido a retificação ao TSE. O preenchimento da declaração de bens é responsabilidade do próprio candidato e do partido.

Marçal também deu um palpite técnico. Sugeriu que o TSE pare de permitir digitação manual no formulário de registro, o Drap, e passe a importar direto o arquivo da declaração de Imposto de Renda dos candidatos.

A explicação chega em meio a outra disputa.

A própria candidatura de Marçal está sob risco. Ele é inelegível por oito anos, por decisão judicial ligada à campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024.

O registro só foi possível depois de uma liminar que autorizou sua saída do União Brasil e o retorno ao PRTB, partido antigo, cumprindo formalmente a exigência de filiação partidária.

Por que o registro foi aceito mesmo com a inelegibilidade

Marçal não está sozinho nessa situação. Anthony Garotinho, cujos direitos políticos foram suspensos por oito anos pela Justiça do Rio, e José Roberto Arruda, candidato ao governo do Distrito Federal, também registraram candidatura com pendência judicial em aberto.

O registro na plataforma do TSE é só a primeira etapa. Cabe à Justiça Eleitoral decidir, caso a caso, se cada um cumpre as condições legais para concorrer, incluindo a de Marçal.

A candidatura dele já era questionada antes da polêmica do patrimônio. O Novo pediu ao TSE que barrasse o registro dele ainda na semana passada.

Se a liminar resiste até a eleição

O episódio do patrimônio é só um dos pontos em aberto no registro de Marçal. A Justiça Eleitoral ainda vai julgar se a liminar que destravou sua filiação é suficiente para superar a inelegibilidade de oito anos.

A mesma pergunta está pendente para Garotinho e Arruda, em outros estados.