A campanha do presidente Lula (PT) pediu nesta sexta-feira (2) que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) inclua a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil na investigação sobre interferência externa nas eleições, a dois dias do primeiro turno.
No pedido protocolado, a campanha diz que a medida "projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito". Os EUA suspenderam os serviços na Embaixada e nos consulados citando questões de segurança.
Segundo os advogados de Lula, a ordem teria partido diretamente do secretário de Estado americano, Marco Rubio. A petição afirma que há alinhamento entre Rubio e as propostas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto.
A petição cita reportagem da Folha segundo a qual Flávio pretende, se eleito, implementar no Itamaraty uma reforma inspirada no modelo da diplomacia americana sob o governo de Donald Trump.
Para a campanha de Lula, o momento da suspensão, a dois dias da votação, não é coincidência.
No pedido protocolado no TSE, os advogados de Lula fizeram a acusação mais direta da petição.
Estes fatos apenas são mais um desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norte-americano, articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro.
O que motivou a suspensão dos serviços consulares?
Os EUA suspenderam os serviços consulares depois de uma ameaça digital de ataque a instalações americanas no Brasil. A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal para apurar o caso.
A ameaça foi repassada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA à inteligência da PF e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Segundo outra reportagem da TV Sim Brasil, a PF não achou indício da ameaça à embaixada dos EUA no Brasil até o momento.
A suspensão já havia sido tema de outra cobertura da TV Sim Brasil, que mostrou que a embaixada americana suspendeu o atendimento consular dois dias antes do primeiro turno.
O que diz a carta dos senadores dos EUA?
A petição também cita carta de três senadores democratas, Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch, enviada à Casa Branca em 28 de setembro. Os parlamentares alertam que as ações do governo americano "ameaçam a aliança estratégica com o Brasil".
Segundo os senadores, as ações mais recentes do governo Trump "apontam para um esforço de interferir, e potencialmente minar, a eleição geral do Brasil". A petição também menciona a aplicação de tarifas e sanções como tentativa de influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pedido é o mais recente de uma série: no fim de setembro, o PT já havia pedido ao STF investigação sobre a interferência dos EUA em favor de Flávio.
O que acontece agora
O TSE ainda não decidiu sobre o pedido de investigação. As apurações sobre possível interferência externa nas eleições seguem organizadas em três frentes: comunicacional, institucional e diplomática.






































