O Brasil elege 54 novos senadores neste domingo (4), renovando dois terços de todo o Senado Federal. Pesquisas eleitorais recentes indicam ascensão do PL, perda de espaço de partidos de centro e políticos tradicionais sob risco de não se reeleger.
O PL tem hoje 10 senadores em mandato e deve ampliar a bancada de forma significativa. Pesquisas mostram ao menos 11 candidatos do partido em 1º ou 2º lugar, com outros 10 empatados dentro da margem de erro.
A meta é formar maioria capaz de aprovar anistia aos presos do 8 de janeiro e avançar o impeachment de ministros do STF. A ofensiva ganhou força depois da divulgação de conversas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Um levantamento da Gazeta do Povo, já mostrado pela TV Sim Brasil, identificou 106 candidatos ao Senado que defendem abrir impeachment contra ministros do STF.
O número mostra que o movimento vai além do PL. São candidatos de vários partidos apostando no tema como bandeira de campanha.
A disputa pelo Senado ganhou peso incomum nesta eleição, justamente por causa do embate entre Congresso e Supremo.
Por que a direita está se unindo em alguns estados?
Nas últimas semanas, a direita fez movimentos para reduzir divisões internas no campo conservador. Em São Paulo, Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado para apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
A avaliação era que dividir os votos da direita entre três candidatos poderia abrir espaço para aliados de Lula, como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
No Distrito Federal, Ronaldo Fonseca (PSD) saiu do páreo para apoiar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, as duas do PL.
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Por que Lula teme um Senado fragmentado?
Lula tem demonstrado preocupação com a divisão da base aliada na disputa pelas cadeiras no Senado. Ele criticou candidaturas independentes e previu uma "crise sem precedente" caso precise governar com minoria na Casa.
A fala veio depois de vaias ao candidato Pedro Paulo (PSD) em ato no Rio de Janeiro. Ele é companheiro de chapa de Benedita da Silva (PT), mas parte da esquerda apoia a vereadora Mônica Benício (PSOL) para a segunda vaga.
Em Belém, a base governista também se divide. No Pará, o governador Helder Barbalho (MDB) lidera a disputa por uma das vagas ao Senado com 48,9% das intenções de voto, contra 39% do delegado Éder Mauro (PL).
O resultado de domingo decide não só nomes, mas o equilíbrio de forças entre Congresso e STF pelos próximos oito anos, mandato fixo dos senadores eleitos.
O ponto em aberto
A fragmentação em vários estados e a falta de favorito claro, segundo pesquisas eleitorais recentes, deixam uma pergunta em aberto.
O Senado eleito neste domingo pode ter maioria organizada para decidir pautas como o impeachment de ministros do STF, ou repetir a paralisia de pedidos represados na legislatura atual.

































