O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) desafiou nesta sexta (2), pelo X, o senador Flávio Bolsonaro (PL) para um debate direto no sábado (3). Renan prometeu retirar a candidatura e declarar apoio ao adversário no 1º turno se for derrotado no confronto.

O desafio ocorreu um dia depois de a TV Globo cancelar o debate presidencial, citando insegurança jurídica provocada por decisões de última hora do TSE e do STF. Flávio já havia desistido de comparecer antes mesmo do cancelamento.

Horas antes, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan no debate, do qual ele não fazia parte da lista original de convidados da Globo.

A ministra Estela Aranha, do TSE, também proibiu a emissora de exibir o púlpito reservado a Lula, ausente do debate, e suspendeu a regra que permitia aos presentes dirigir perguntas ao ausente.

Em post no X às 19h24 de quinta (1), Flávio anunciou: "Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas".

Segundo reconstituição do Valor, a decisão de Flávio, atribuída à "censura", veio depois da determinação que incluiu Renan no debate, não da ausência de Lula. A cronologia indica que o estopim foi a entrada de um concorrente, não a ausência do presidente.

Renan disse que não exige nada de Flávio caso vença e que não discutiria os "escândalos" do senador, apenas propostas.

Eu proponho um debate agora neste sábado, em qualquer lugar, em qualquer horário. No debate, eu não vou falar dos escândalos dele, só vou falar das propostas dele, que não existem, contra as minhas, que existem.

Outros candidatos presentes nos estúdios da Globo quando o debate foi cancelado incluíam Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Nas redes sociais, os três atribuíram o cancelamento a Lula. O petista já havia confirmado que não participaria do encontro.

Até a publicação desta matéria, Flávio não havia respondido publicamente ao desafio.

O que acontece agora

O debate informal que Renan propôs depende da resposta de Flávio, que não tem prazo para se manifestar. Entidades de imprensa já criticaram as decisões judiciais que levaram ao cancelamento do encontro original, marcado para antes do primeiro turno, neste domingo (4).