O presidente alemão Frank-Walter Steinmeier alertou que a Alemanha corre o risco de repetir as divisões da República de Weimar, que antecedeu a 2ª Guerra Mundial. A fala ocorreu no discurso dos 36 anos da reunificação alemã, em Bremen, neste sábado (3).

Steinmeier citou o aumento de desinformação disseminada por "extremistas antidemocráticos" como o principal risco à democracia alemã.

Berlim não é Weimar.

A frase rebate diretamente o uso político do paralelo histórico. Steinmeier também criticou o que chamou de "difamação irrefletida da República Federal" e pediu uma política de coalizão mais firme.

O alerta vem após a AfD, partido de extrema direita, vencer duas eleições estaduais no leste do país em setembro. Na Saxônia-Anhalt, a legenda teve 43,8% dos votos, mais que o dobro dos 20,8% obtidos em 2021.

Foi o maior percentual da história do partido, fundado em 2013. Mesmo assim, a projeção de 39 das 83 cadeiras ficou abaixo das 42 necessárias para governar sozinho.

Duas semanas depois, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD repetiu o padrão de dobrar os votos em relação à eleição anterior, com 37,9% ante 16,7%. O SPD, que governa o estado desde 1998, ficou em segundo, com 35,7%.

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Por que a "muralha" contra a extrema direita ainda resiste?

Apesar do avanço nas urnas, a AfD segue isolada nos parlamentos estaduais. Os demais partidos mantêm o chamado muro contra a extrema direita, recusando-se a formar coalizão com a legenda.

O cenário aperta o espaço do governo de coalizão entre conservadores e social-democratas, que disputa espaço entre a esquerda e a AfD em várias eleições regionais.

A onda de desgaste eleitoral não é só alemã. A TV Sim Brasil já mostrou como o mesmo padrão derrubou governos na Suécia e na Colômbia neste ano, antes de chegar à própria eleição brasileira.

O ponto em aberto

O isolamento político em torno da AfD segue de pé nos dois estados onde o partido venceu em setembro, mas a margem para mantê-lo encolhe a cada eleição.

A pergunta que os resultados de Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia deixam é até quando os outros partidos conseguem formar maioria sem a legenda que mais cresce nas urnas.