O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) negou neste sábado (3), em Goiânia, que tenha cogitado desistir da disputa para apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Segundo a última pesquisa Datafolha, Caiado tem 3% das intenções de voto.
"A palavra desistir não existe na trajetória de vida do Caiado", afirmou o candidato.
A declaração respondeu a rumores de que ele apoiaria Flávio ainda no primeiro turno, sob pressão de aliados do senador. Caiado disse que o próprio Flávio nunca lhe fez esse pedido diretamente.
"A luta nossa significa, aqui, não uma luta da pessoa Ronaldo Caiado, é uma luta que fala por milhões de pessoas, não só de Goiás, mas do Brasil", disse Caiado, que tem 40 anos de carreira política.
Por que a terceira via encolheu ainda mais em 2026
Os quatro principais candidatos de centro, Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema, somam apenas 11% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro, com 38%, está 34 pontos à frente do terceiro colocado.
Os números são da pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro, contratada por Globo e Folha de S.Paulo e registrada no TSE sob o código BR-08039/2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Em 2022, a distância entre o segundo e o terceiro colocado era de 28 pontos. O espaço para uma alternativa de centro encolheu ainda mais nesta eleição.
Candidaturas de centro já tiveram resultados bem maiores: Marina Silva chegou a 21,32% em 2014, e Anthony Garotinho fez 17,9% em 2002. Na eleição passada, Simone Tebet somou 4,16%, o pior terceiro lugar desde 1994.
"É uma eleição de rejeição, como foi a de 2022", avalia o analista Marcelo Tokarski, da consultoria Nexus. Segundo ele, parte do eleitorado vota em Lula ou Flávio para derrotar o adversário, não por convicção.
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O PSD, partido de Caiado, tem a quarta maior bancada da Câmara e a segunda do Senado, além de ter recebido R$ 420 milhões do fundo eleitoral em 2026. A força parlamentar do partido independe do resultado da disputa presidencial.
A resistência de Caiado contrasta com outros candidatos: Leonardo Avalanche desistiu da disputa a 4 dias da votação.
Já a relação de Caiado com a chapa de Flávio nunca foi tranquila, desde que seu marqueteiro deixou a campanha após uma virada de tom contra o senador.
O ponto em aberto
A pergunta não é se Caiado vai desistir, ele garante que não. É se permanecer até o fim muda algo para o eleitor que hoje soma seu voto aos 11% da terceira via.
Historicamente, esse eleitorado costuma se redistribuir entre os dois polos no segundo turno, não decidir o resultado já no primeiro.

































