O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Thomas Shannon disse neste sábado (3) que seria um "grave erro diplomático e político" se Washington contestasse o resultado da eleição brasileira sem provas de fraude, véspera da votação que decide o próximo presidente.
"Seria um grave erro, do ponto de vista diplomático e político, que os Estados Unidos ou qualquer outro país questionassem os resultados eleitorais na ausência de evidências claras de fraude", afirmou Shannon ao Metrópoles.
A declaração, dada ao Metrópoles, ocorre em meio à escalada de tensão entre os governos de Lula e Donald Trump. Shannon comandou a embaixada dos Estados Unidos no Brasil entre 2009 e 2013.
Para o diplomata, o sistema eleitoral brasileiro é "reconhecido internacionalmente como um dos melhores" pela integridade e rapidez na apuração dos votos. Ele já havia feito alerta semelhante em 2022, durante a eleição presidencial daquele ano.
Por que o alerta chega agora
O alerta chega dois dias depois de os EUA suspenderem o atendimento presencial da embaixada em Brasília e de consulados no país, por "questões de segurança" não detalhadas. A campanha de Lula pediu ao TSE, na sexta (2), que investigasse a decisão como interferência eleitoral.
Em petição à Justiça Eleitoral, a campanha classificou a suspensão consular como "mais um desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norte-americano". A medida, comunicada na quinta-feira (1º), atinge a embaixada em Brasília e consulados em cinco cidades brasileiras.
O que o relatório da Abin aponta
O relatório da Abin, enviado ao TSE e à Presidência no fim de agosto, eleva a possibilidade de interferência dos EUA ao nível de "criticidade" e aponta que ela pode ocorrer de forma gradual, por pressão política, econômica e diplomática, sem necessariamente mirar as urnas.
A avaliação da Abin também cita o ambiente digital e a opinião pública como pontos de atenção. Para a agência, os EUA buscam reafirmar a influência na América Latina e reduzir o espaço de rivais como a China.
O que acontece agora
O TSE ainda não decidiu se inclui a suspensão consular na apuração sobre interferência eleitoral aberta a pedido da campanha de Lula. O primeiro turno das eleições presidenciais acontece neste domingo (4).

































