Mais de 31 mil brasileiros esperavam por um transplante de córnea em julho de 2025, segundo o Sistema Nacional de Transplantes. O tempo médio de espera dobrou em uma década, de 174 para 374 dias. A demora varia tanto entre estados que pode passar de quatro anos em alguns lugares.

O Brasil também bateu recorde de transplantes em 2025: foram mais de 31 mil procedimentos de todos os tipos de órgãos, alta de 21% sobre 2022. A córnea foi o mais transplantado do país, com 17.790 cirurgias.

Por que a fila dobrou

Os valores pagos aos bancos de olhos não têm reajuste há uma década, enquanto os custos de insumos, cotados em dólar, sobem.

A pandemia também represou milhares de cirurgias entre 2020 e 2023, um atraso que o sistema ainda não recuperou.

Uma fila desigual pelo Brasil

Em 2024, o Rio de Janeiro chegava a 1.424 dias de espera pelo mesmo procedimento. Acre, Alagoas e Rio Grande do Norte também passavam de mil dias.

Do outro lado, Ceará esperava só 58 dias. Santa Catarina, Mato Grosso, Amazonas, São Paulo e Paraná apareceram como os melhores exemplos do país.

Mulheres são 55,7% da fila, e pessoas com 65 anos ou mais são quase metade dos pacientes que esperam.

O que a fila expõe

Foi essa disparidade entre estados que levou o candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil a viajar a São Paulo para operar a córnea nesta semana, depois de seis meses de espera.

A distância entre 58 dias em um estado e 1.424 em outro, pelo mesmo procedimento, marca uma desigualdade dentro do próprio SUS. Viajar para operar mais rápido é uma opção que exige recursos que nem todo paciente da fila tem.