Bancários de todo o país cumprem nesta quinta-feira (20) uma paralisação nacional de 24 horas, fechando agências e suspendendo o atendimento presencial. A greve integra a campanha salarial de 2026 e não afeta boletos pagos por aplicativo, Pix, nem operações em caixas eletrônicos.

O que funciona e o que muda hoje

Quem precisa pagar conta não fica na mão: boletos e faturas seguem pagáveis pelo aplicativo ou pelo internet banking do próprio banco. Pix, transferências, consulta de saldo e extrato continuam disponíveis normalmente.

Saques e depósitos em caixas eletrônicos também não são impactados pela paralisação. O que fecha é o atendimento presencial nos guichês das agências.

Os prazos de vencimento não mudam por causa da greve. Quem atrasar um pagamento hoje paga juros e multa normalmente, mesmo alegando a paralisação como motivo.

Por que os bancários pararam

A paralisação é a resposta a duas propostas rejeitadas na negociação salarial com a Fenaban, federação que representa os bancos.

A primeira foi um reajuste de 85% do INPC, abaixo da inflação. Pelo cálculo do Dieese, esse índice resultaria em perda real de 0,57% na remuneração da categoria. A proposta foi rejeitada na mesa de negociação.

A segunda proposta trazia reajuste escalonado por faixa salarial, com o piso de entrada congelado. Ela foi rejeitada por 97% dos mais de 50 mil bancários que participaram das assembleias dos sindicatos pelo país.

Depois da rejeição, a Fenaban recuou da proposta escalonada, em anúncio feito na terça-feira (18). Um novo índice de reajuste, porém, ainda não foi apresentado.

Nos dois últimos anos, a categoria fechou acordo acima da inflação: 5,68% em 2025 (100% do INPC mais 0,6% de ganho real) e 4,64% em 2024 (ganho real de 0,7%).

A proposta de 85% do INPC deste ano representaria a primeira perda real em pelo menos três campanhas salariais seguidas.

O que ainda falta para o impasse acabar

A Fenaban já recuou duas vezes de propostas rejeitadas pela categoria, mas segue sem apresentar um índice que os bancários aceitem.

Enquanto isso não acontece, cada rodada de assembleia vira um novo risco de paralisação, e é o cliente na fila do banco quem sente o efeito de um acordo que ainda não saiu do papel.