O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao advogado Marco Aurélio de Carvalho que apurasse vazamentos da Polícia Federal considerados seletivos pela defesa de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por tráfico de influência. O pedido veio à tona nesta quinta-feira (20), após reunião na noite de quarta-feira (19) no Palácio da Alvorada, em Brasília.
A reunião foi revelada pelo próprio advogado, que defende Lulinha nos inquéritos da Polícia Federal. Segundo ele, Lula perguntou se a investigação dos vazamentos já havia sido pedida. Diante da confirmação, o presidente respondeu: "Então, está ótimo".
Carvalho classificou o momento como incômodo. "Eu estou vendo um paralelismo", disse, comparando os vazamentos ao que chamou de pior fase da Operação Lava Jato.
Segundo o advogado, nem ele nem Lula querem que Lulinha seja tratado "como se estivesse acima da lei", mas também não "como se estivesse abaixo dela".
Lula afirmou que não pretende usar a Polícia Federal para proteger aliados nem perseguir adversários. Sua orientação, segundo relatos da reunião, foi: "quem fez cagada, que se explique; quem não fez, que se explique também, e seja absolvido".
O clima do encontro foi tranquilo, segundo Carvalho, que descreveu o presidente como "absolutamente sereno". A maior parte da conversa girou em torno da campanha ao governo de São Paulo, não dos inquéritos.
Carvalho coordena a campanha de Lula no estado e integra o grupo Prerrogativas, coletivo de advogados críticos à Lava Jato que hoje tem interlocução direta com o Planalto.
O que motivou a queixa contra a PF
O pedido de apuração veio no mesmo dia em que uma minuta de contrato ganhou repercussão: a lobista Roberta Luchsinger enviou o documento a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Segundo o jornal O Globo, que teve acesso ao material, o documento propunha a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde, negócio avaliado em R$ 626 milhões, sem licitação.
O esquema é atribuído pela reportagem ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela Polícia Federal sob suspeita de desviar recursos do instituto. A PF encontrou a minuta nos celulares de Luchsinger e Antunes.
A suspeita dos investigadores é de que a lobista, que "aparentemente" agia em nome de Lulinha, tenha sido contratada para viabilizar o negócio com a ajuda do filho do presidente.
Procurado pelo Poder360, o Ministério da Saúde negou qualquer negociação. Segundo a pasta, o canabidiol não está incorporado ao SUS, e "nunca existiu, por parte desta gestão, nenhuma discussão para a sua oferta na rede pública de saúde".
O ministério não respondeu especificamente se Luchsinger se reuniu com integrantes da pasta ou sobre a participação de Marcola nas tratativas.
Para Carvalho, o negócio nunca teve condições de se concretizar. "É crime impossível. Eles querem vender e o governo pode comprar, mas é a mesma coisa que dizer que vou matar alguém com uma pistola d'água", declarou.
O advogado também comentou o pedido da PGR para que o inquérito de Lulinha saia do STF e vá para a 1ª instância.
Disse que o caso "não tem nada a ver com o INSS" e que, por isso, não haveria motivo para permanecer na Corte.
O nome de Marcola não foi mencionado por Lula durante a reunião com Carvalho, que ficou restrita ao caso do filho do presidente.


























