Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) registraram no TSE planos de governo opostos em tom para a disputa presidencial de 2026, mas os dois defendem um prontuário eletrônico único de saúde, integrado ao CPF, e a modernização tecnológica do Estado.
Os dois programas também convergem em pontos como o fortalecimento do agronegócio e a manutenção de programas sociais, ainda que com desenhos diferentes.
Onde os planos se encontram
Lula protocolou a candidatura à reeleição na sexta-feira (7), pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, formada por sete partidos.
O plano de governo do petista tem 84 páginas e repete a palavra soberania em 21 delas, com um balanço do que o texto chama de herança do governo anterior.
Um dos planos registrados no TSE propõe mobilizar R$ 900 bilhões em quatro anos para infraestrutura, somando rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, por meio de concessões, privatizações e parcerias público-privadas.
Na saúde, mais de um programa fala em criar um registro eletrônico único do SUS, reunindo histórico de consultas, exames, vacinação e prescrições num só sistema.
As propostas também citam uso de inteligência artificial para agilizar o agendamento de consultas e ampliar a telemedicina em regiões remotas.
Onde os planos se afastam
Flávio Bolsonaro apresentou o documento "Para o Brasil Vencer o Atraso", que propõe reduzir a estrutura administrativa do governo federal e diminuir o número de ministérios.
O texto também defende o endurecimento de penas criminais e mudanças nas relações trabalhistas, além de rever regras institucionais que incluem a relação do Executivo com o Supremo Tribunal Federal.
É o oposto do discurso de continuidade de Lula, que defende a coordenação do Estado sobre investimentos públicos e privados, com o BNDES como instrumento central da estratégia.
Outros nomes na disputa miram pautas específicas. O candidato Augusto Cury defende a escola em tempo integral como modelo obrigatório, argumentando que nenhum país desenvolvido dispensou esse formato de ensino.
Ao todo, 13 chapas pediram registro no TSE para a disputa presidencial de 2026, incluindo Ronaldo Caiado, Zema e Pablo Marçal.
A convergência entre os dois principais planos aparece mais no que fazer do que em como fazer.
Lula aposta na coordenação estatal para chegar lá. Flávio Bolsonaro, na redução do tamanho do Estado.


























