O Brasil caminha para se tornar o quarto maior importador de trigo do mundo entre outubro de 2026 e setembro de 2027, atrás de Egito, Indonésia e Argélia. A projeção é da USDA: 7,5 milhões de toneladas, enquanto a área plantada no país é a menor desde 2017.
A Conab tem uma projeção própria, um pouco menor: 7,103 milhões de toneladas importadas no mesmo ciclo. Ainda assim, seria o maior volume em quase duas décadas.
O recorde da série histórica da Conab, iniciada em 2001/02, é de 2006/07, quando o Brasil importou 7,164 milhões de toneladas. A nova estimativa fica muito próxima desse patamar.
A causa é a produção interna em queda. Segundo a Conab, a safra 2025/26 deve somar 5,8 milhões de toneladas, recuo de 26,2% ante o ciclo anterior.
A área plantada caiu 20,4%, de 2,45 milhões para 1,95 milhão de hectares. O desestímulo ao plantio está ligado aos preços recebidos pelo produtor nas últimas safras, aos custos de produção e à concorrência do trigo importado.
O preço da saca está em R$ 79,61, segundo a Cepea.
A Argentina segue como principal fornecedora, ao lado de Paraguai e Uruguai, parceiros do Mercosul.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 2,8 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões no mesmo período de 2025, queda ligada a menores embarques argentinos. A Rússia aparece como fornecedora relevante para o segundo semestre.
“Boa parte do ano-safra 2026/27 ocorrerá em 2027, quando a expectativa para a nova safra argentina é muito boa, e de retorno do trigo aos padrões panificáveis observados antes da safra passada”, diz Élcio Bento, analista da consultoria Safras & Mercado.
O contraste dimensiona o fato. O Brasil é um dos maiores exportadores agrícolas do mundo em soja, milho, café e carne.
No trigo, o caminho é o oposto: o país se aproxima de um volume de compras externas que só fica atrás de nações sem a mesma vocação agrícola brasileira.
É a matéria-prima do pão e da massa que chegam à mesa do consumidor todos os dias.


























