Candidatos a deputado federal, estadual e distrital podem ser eleitos nas urnas de outubro mesmo sem atingir, sozinhos, o número de votos necessário para uma cadeira. É o chamado "eleito por média". A vaga vem das sobras da primeira distribuição entre partidos e federações.
O sistema vale só para quem concorre pelo proporcional. O Senado segue outra lógica, majoritária, sem quociente e sem sobras.
O cálculo começa pelo quociente eleitoral (QE), fixado pela Justiça Eleitoral. Os votos válidos de cada estado são divididos pelo número de cadeiras em disputa, de 8 a 70 na Câmara dos Deputados, conforme a população local.
Em seguida vem o quociente partidário (QP). A votação de cada partido ou federação, somando os votos de legenda aos votos de cada candidato, é dividida pelo QE.
O resultado define quantas cadeiras a legenda garante nessa primeira rodada.
O que são as sobras eleitorais?
Sobras são as cadeiras que ficam sem dono depois do cálculo do quociente partidário, somadas às vagas de candidato que não atingiu 10% do QE em votos próprios. Elas são distribuídas pelo critério das maiores médias.
Para cada sobra, os votos válidos de cada partido são divididos pelo número de cadeiras que a legenda já tem, mais um. Quem apresentar a maior média fica com a vaga.
O cálculo se repete se houver mais de uma cadeira a distribuir. Só disputa essa primeira rodada o partido ou federação com ao menos 80% do QE e que tenha um candidato com pelo menos 20% do QE em votos próprios.
A cadeira vai ao mais votado da lista que cumprir a exigência. Se ainda sobrar vaga sem ninguém nessas condições, a disputa se abre a todos os partidos e federações, sem os patamares mínimos de votação.
O mecanismo decide a maioria das cadeiras da Câmara. Em 2022, apenas 28 dos 513 deputados federais eleitos, cerca de 1 em cada 18, atingiram sozinhos o quociente eleitoral com a própria votação.
Os outros 485 dependeram, em algum grau, do desempenho do partido ou da federação, segundo levantamento do Congresso em Foco.
O caso mais lembrado do sistema é de 2002. O deputado Enéas Carneiro, do PRONA-SP, foi eleito com 1,5 milhão de votos.
Pela força do quociente partidário que essa votação gerou, Carneiro puxou outros cinco deputados da mesma legenda, um deles com apenas 275 votos próprios.
O caso mostra como o voto dado a um candidato pode, na prática, eleger outro nome da mesma legenda, graças à força do quociente partidário.
O sistema volta a valer nas eleições de outubro de 2026, quando 87% dos atuais deputados tentam a reeleição, o maior índice em anos.






























