O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou Lula de "ladrão" em entrevista à revista francesa Le Point, publicada nesta quarta-feira (30/9), e repetiu acusações sem provas contra o petista, reforçando apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência a três dias do primeiro turno.

Milei concedeu a entrevista na Casa Rosada, sede do governo argentino, antes de embarcar para Paris, onde participaria do fórum empresarial Argentina Week e de um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron.

A publicação veio em meio à disputa presidencial brasileira, que tem primeiro turno marcado para domingo (4/10).

"Lula é um ladrão. Só saiu da prisão graças a um vício de forma administrativa orquestrado por um juiz cúmplice. Durante minha campanha de 2023, ele enviou vários comunicadores e psicólogos a Buenos Aires para montar golpes sujos contra mim. O líder dos provocadores em solo argentino era um estudante brasileiro remunerado pelo governo de Lula", disse Milei à Le Point.

A acusação sem provas se refere a uma equipe de 20 publicitários brasileiros que atuou na campanha de Sergio Massa, candidato do governo kirchnerista de Alberto Fernández, derrotado por Milei em 2023.

O grupo tinha ligação com Sidônio Palmeira, hoje ministro-chefe da Secom. Segundo a CNN Brasil, ele chegou a ser sondado por Lula, mas recusou o convite e enviou emissários.

Desde que assumiu a Presidência argentina em dezembro de 2023, Milei faz ataques recorrentes a Lula. Em agosto, o Itamaraty classificou uma sequência de ofensas como crise sem precedentes, e o Brasil chegou a rebaixar a relação diplomática com a Argentina.

Para o Itamaraty, não há precedentes de "um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro".

Milei também voltou a declarar apoio a Flávio Bolsonaro. "Tenho grandes esperanças de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial de outubro para realizar a reforma liberal indispensável", afirmou à revista francesa.

O apoio não é novo. O PL oficializou a candidatura de Flávio à Presidência em julho, em convenção na qual Milei esteve presente. Na ocasião, o argentino recebeu do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a Ordem do Ipiranga.

Na mesma convenção, o argentino já defendia o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como o nome capaz de enfrentar o que chamou de "risco Lula" para a economia brasileira. Milei repetiu o apoio em setembro, durante discurso na Assembleia Geral da ONU.

Nem toda a direita brasileira endossa a escolha. Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro resistem à candidatura de Flávio, e o nome do governador Tarcísio de Freitas segue cotado como alternativa dentro do próprio campo bolsonarista.

As declarações de Milei já tiveram efeito concreto. Em agosto, o Itamaraty manteve seu embaixador na Argentina fora do posto, em protesto contra a sequência de ataques do argentino. Uma crítica assim ganha outro peso quando repetida às vésperas de uma eleição presidencial.

O que acontece agora

O primeiro turno da eleição presidencial acontece neste domingo (4/10).