O romance "C'était ça ou mourir", do autor canadense Thélyson Orélien, vendeu 18.254 cópias em formato físico entre 21 e 27 de setembro na França, alta sobre as 12.506 da semana anterior. O livro é suspeito de ter sido escrito majoritariamente por inteligência artificial.

O título ocupa o 1º lugar na categoria de romances na lista de best-sellers da NielsenIQ BookData/Livres Hebdo, à frente de lançamentos dos franceses Agnès Martin-Lugand e Marc Levy. Desde o lançamento em agosto, já soma cerca de 65 mil exemplares vendidos.

A alta nas vendas vem na esteira da polêmica. Em 25 de setembro, a Academia Goncourt retirou o romance da lista de candidatos ao prêmio literário mais importante da França, depois de uma conta anônima no X acusar o autor de usar IA.

Por trás da denúncia estava o ensaísta francês Samuel Fitoussi, colaborador do jornal conservador Le Figaro, que admitiu a autoria e chamou a ação de um "projeto coletivo". Depois vieram acusações de plágio de textos publicados há mais de uma década no Canadá.

A editora canadense Boréal suspendeu as atividades promocionais do livro após as acusações de plágio.

O que diz o autor?

Orélien, de 38 anos, nega as acusações. Ele disse à agência AFP que está "disposto a se pronunciar quando as coisas se acalmarem".

Segundo o autor, à AFP, existe "esse desejo não só de atacar o livro, mas sobretudo a minha voz [...], de me silenciar".

Não é a primeira vez que a inteligência artificial gera polêmica num prêmio literário. No Brasil, um ilustrador foi desclassificado do Jabuti por usar IA e depois voltou a disputar o prêmio.

O que acontece agora

O escritor, que também tem nacionalidade haitiana, segue sem se pronunciar publicamente de forma extensa sobre o caso. A controvérsia já abalou o mundo literário francês e se soma a outras polêmicas sobre o uso de IA no mercado editorial.