O capitão indiano Smit Machchhar foi esfaqueado pelo colega de cockpit durante o voo FZ1073 da Flydubai, de Dubai a Tel Aviv, na quarta-feira (30). Mesmo ferido, ele ajudou a reverter uma queda abrupta de altitude e o avião pousou em segurança na Arábia Saudita.
As 174 pessoas que estavam a bordo foram confirmadas em segurança pela companhia aérea.
A aeronave, um Boeing 737 MAX 8, perdeu quase 14 mil pés (cerca de 4,2 mil metros) de altitude em menos de 30 segundos, segundo dados do Flightradar24 citados na cobertura inicial do caso, publicada um dia antes.
O voo decolou de Dubai às 6h05 no horário local. Cerca de duas horas depois, a aeronave começou a perder altitude e fez uma curva acentuada para o norte.
Às 8h31, a tripulação emitiu um chamado de socorro, pouco antes de acionar o código 7500, usado internacionalmente para sinalizar sequestro de aeronave. Emergências em pleno voo são raras, mas não inéditas: casos assim exigem decisões em segundos da tripulação.
"A gente simplesmente sentiu o avião cair completamente e começar a girar um pouco, e todo mundo estava gritando, havia crianças chorando", contou a passageira Mika Bauman à CNN.
Quem é o piloto que evitou a tragédia?
Machchhar cresceu em Mumbai, onde os pais ainda moram. Entrou na companhia aérea indiana SpiceJet em 2011 e se mudou para Dubai antes de ingressar na Flydubai, em 2022, já como piloto experiente.
Segundo seu perfil no LinkedIn, soma mais de 9.750 horas de voo, das quais mais de 6.400 como piloto em comando. Mesmo ferido, lutou com o agressor e conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que a tripulação intercedesse, segundo jornais indianos.
Machchhar passou por cirurgia pelos ferimentos e segue em condição estável, segundo a embaixada indiana em Riad.
Em podcast no ano passado, disse que a aviação "nunca foi um sonho de infância" e que só se apaixonou pela carreira ao esbarrar, por acaso, num seminário sobre o tema.
O que diz quem o conhece?
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, publicou que Machchhar "salvou a vida de 174 pessoas" e evitou "uma catastrófica tragédia aérea em pleno voo". À CNN, disse que o piloto "conseguiu evitar um desastre como o do 11 de Setembro".
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, chamou Machchhar de "HERÓI" nas redes sociais e telefonou para a família dele. Vizinhos de infância, como Akshay Doshi, disseram à AFP que a coragem do piloto "não foi surpresa": segundo eles, ele sempre foi calmo sob pressão.
A Flydubai, por sua vez, evitou cravar uma versão. Em nota, a companhia disse que os motivos do confronto "seguem desconhecidos e sujeitos a investigação formal".
Um porta-voz do gabinete de Netanyahu chegou a dizer que não acredita se tratar de um sequestro, chamando o episódio de "incidente diferente".
O ponto em aberto
Netanyahu reconheceu nesta quinta que ainda é cedo para explicar por que um piloto teria atacado o colega, e se há alguma ligação com o Irã.
A nacionalidade do suspeito, apontada por uma fonte anônima israelense como sendo de Omã, segue sem confirmação oficial de Israel, Omã ou da Flydubai.
Isso deixa em aberto um dos pontos mais sensíveis do caso: os acordos da companhia para voos a Israel normalmente exigem pilotos de países com relações diplomáticas normalizadas com o país.































