A Polícia Federal prendeu preventivamente o candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) nesta quinta-feira (1º), em Boa Vista (RR), durante a Operação Lemming. A PF investiga suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa nas eleições de 2026 em Roraima.

A operação cumpriu 6 mandados de busca e apreensão, determinados pela Justiça Eleitoral, em endereços de investigados. A mãe de Jalser, Itelvina da Costa, também foi alvo de um dos mandados.

A Justiça determinou ainda medidas cautelares: proibição de contato entre os investigados, vedação a saques em espécie e bloqueio de bens e valores até R$ 4,2 milhões.

A PF suspeita que o candidato planejava comprar o voto de mais de 12 mil eleitores, com gasto estimado de R$ 4 milhões no esquema.

Em nota, a corporação informou que "as medidas têm por finalidade preservar provas, impedir interferências na investigação e evitar a continuidade das condutas sob apuração".

Qual é o histórico do caso?

A operação desta quinta é desdobramento da prisão em flagrante de Jalser em 24 de setembro, também por suspeita de compra de votos. Ele passou uma noite preso na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo e foi liberado após audiência de custódia e pagamento de fiança.

Na ocasião, agentes encontraram no escritório dele R$ 19 mil em dinheiro e planilhas de campanha com a sigla "BU" (possível indício de compra de votos, segundo a PF).

O advogado de Jalser, Carlos Vilareal, disse ao g1 que as planilhas traziam nomes de cabos eleitorais, apoiadores remunerados e voluntários da campanha, versão que contesta o indício levantado pela PF.

Não é a primeira vez que a PF mira um candidato por suspeita de compra de votos na reta final das eleições de 2026. Em Roraima, a corporação também apura assédio eleitoral num órgão público do estado.

Quem é Jalser Renier?

Jalser Renier Padilha foi deputado estadual por 27 anos. Ele teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima em 2022, por quebra de decoro, após ser acusado de mandar sequestrar e torturar um jornalista em 2020.

O Supremo Tribunal Federal suspendeu parcialmente os efeitos da cassação e permitiu a participação dele nas eleições de 2026, mesmo com o histórico do caso.

O que acontece agora

A operação busca reunir novos elementos de prova e esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados, segundo a PF. As investigações também tentam identificar outros possíveis envolvidos ou beneficiários do esquema.

O caso se soma ao histórico recente da corporação: a PF já apreendeu R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral no país.