A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) lançou mísseis balísticos e drones contra as bases americanas de Al Azraq e Rei Hussein, na Jordânia, na noite deste domingo (30). O ataque é a resposta anunciada por Teerã ao bombardeio dos Estados Unidos à ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz, dias antes.

O Exército da Jordânia informou ter abatido oito mísseis que entraram em seu espaço aéreo, sem identificar a origem dos disparos. Fontes do Departamento de Estado dos Estados Unidos disseram à CNN Internacional que os mísseis iranianos foram interceptados antes de atingir os alvos.

Em comunicado distribuído por agências iranianas, a Guarda Revolucionária afirmou que a operação combinou mísseis e drones e causou "grandes danos" às duas bases, sem detalhar o resultado real do ataque. Não há, até esta publicação, confirmação independente do alcance da destruição.

O gatilho da escalada foi o bombardeio americano à ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. Segundo Teerã, a ofensiva matou e feriu militares e civis iranianos, o que levou o país a prometer retaliação.

A Jordânia hospeda tropas americanas desde 2021 e já foi palco de um ataque fatal ligado ao Irã. Em 28 de janeiro de 2024, um drone lançado por milícia apoiada por Teerã atingiu o posto americano Tower 22, na fronteira com Síria e Iraque.

O ataque a Tower 22 matou os soldados William Rivers, Kennedy Sanders e Breonna Moffett e feriu outros 34 militares.

Foi a primeira baixa fatal dos Estados Unidos na onda de mais de 160 ataques de grupos ligados ao Irã contra forças americanas na região desde outubro de 2023.

O efeito no preço dos combustíveis

O petróleo Brent subiu 2,47% nesta segunda-feira (31) e passou dos US$ 90 o barril, reagindo à escalada entre Irã e Estados Unidos. O contrato acumula alta de 7,77% no mês e de mais de 32% em um ano.

Bancos como JPMorgan e Goldman Sachs projetam que o barril pode saltar para entre US$ 130 e US$ 150 se o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo negociado no mundo, chegar a ser bloqueado de fato.

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As regiões Norte e Nordeste do Brasil, mais dependentes de combustível importado, tendem a sentir o efeito primeiro no preço da bomba.

O governo brasileiro já se antecipou ao risco. Na semana passada, liberou R$ 3,15 bilhões em subsídio para segurar o preço da gasolina e do diesel e conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor.

Já em 21 de agosto, com a tensão entre Teerã e Washington subindo, o governo avaliava prorrogar o mesmo subsídio como precaução. É um sinal de que Brasília já monitorava o risco de um confronto direto como o desta segunda.

A Jordânia e os Estados Unidos ainda não divulgaram um balanço oficial de danos nas bases de Al Azraq e Rei Hussein. O mercado de petróleo segue de olho em qualquer sinal de fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.

No Brasil, a ANP e a Petrobras ainda não informaram se o novo patamar do Brent deve se refletir nos preços de refinaria nas próximas semanas.