Mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes no Brasil em junho, com dívidas acumuladas de R$ 232,9 bilhões. É o maior número desde o início da série histórica da Serasa Experian, em 2016, e uma alta de 16,67% em relação a junho do ano passado.
Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ.
"A alta da inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas, pressionadas pela alta taxa de juros", disse Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, sobre a Selic, hoje em 14%.
Segundo ela, "a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos".
Quem mais deve, e onde
Por setor, Serviços concentra 55,7% das empresas inadimplentes, seguido por Comércio, com 32,2%. Indústria responde por 8,0% e o setor Primário, por 0,9%.
Na distribuição por região, o Sudeste concentra o maior volume: São Paulo tem 3.126.658 CNPJs inadimplentes, Minas Gerais 907.558 e o Rio de Janeiro, 874.385.
A região Sul soma 1.565.690 empresas inadimplentes, com o Paraná à frente (601.986), seguido por Rio Grande do Sul (527.555) e Santa Catarina (436.149).
No Nordeste, são 1.205.713 empresas inadimplentes, com dívidas somando cerca de R$ 19,7 bilhões na região.
O Banco Central reduziu a Selic em agosto, mas a taxa segue em patamar elevado. 2025 já havia fechado com recorde de recuperações judiciais de empresas.
O que ainda não fechou a conta
O corte de juros feito pelo Banco Central em agosto ainda não aparece nos números de junho, colhidos antes da mudança.
Resta saber se a Selic mais baixa chega a tempo de aliviar o caixa das empresas que já acumulam atraso, ou se o efeito só vai aparecer nos próximos levantamentos da Serasa.


























