A arrecadação federal somou R$ 289,3 bilhões em julho, alta real de 8,97% sobre julho de 2025, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta terça-feira (25). É o maior valor da série histórica para o mês, iniciada em 1995.
No acumulado do ano, o governo federal já arrecadou R$ 1,876 trilhão entre janeiro e julho, alta real de 6,98% ante o mesmo período de 2025. O resultado supera o recorde de junho, quando a arrecadação somou R$ 264,4 bilhões.
De onde vem o dinheiro extra
Segundo a Receita, o crescimento veio de quatro frentes: mais contribuição à Previdência Social e alta nas receitas de PIS e Cofins, puxada pelo comércio e pelos serviços.
Somam-se a isso as mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a nova tributação sobre bets e fintechs, medidas aprovadas pelo Congresso Nacional a partir de 2025.
Parte do recorde, portanto, não vem do crescimento espontâneo da economia. Vem de tributos que simplesmente não existiam no mesmo período do ano passado.
Um recorde que não fecha a conta
Enquanto a arrecadação bate recorde, o resultado das contas públicas caminha na direção oposta. O déficit primário do setor público somou R$ 92,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo o Ipea, ante R$ 9,8 bilhões no mesmo período de 2025.
O mercado financeiro também piorou a expectativa para o ano inteiro. A mediana das projeções do Prisma Fiscal, levantamento do próprio Ministério da Fazenda, subiu de R$ 58,077 bilhões em julho para R$ 59,145 bilhões em agosto.
A despesa segue crescendo mais rápido do que a receita extra consegue cobrir, mesmo num ano de arrecadação recorde mês após mês.
O recorde do primeiro semestre já havia sido de R$ 1,587 trilhão. A distância entre arrecadar mais e gastar menos não parou de crescer desde então.
O que a TV Sim observa
O governo projeta fechar 2026 com arrecadação recorde de 23,6% do PIB, resultado de reajustes de alíquotas e da ampliação da base tributária. O Tesouro Nacional já avisou que a sustentabilidade das contas depende de manter esse patamar nos próximos anos.
Fica uma pergunta em aberto para além de 2026. Parte do recorde vem de tributos novos sobre bets e fintechs, não do crescimento da economia.
Se a atividade desacelerar ou o preço do petróleo cair, afetando os royalties, o país descobre se esse novo patamar de arrecadação é permanente. Ou se foi só a soma de um ano de tributos inéditos.


























