O plano de governo que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais, registrou no TSE nesta semana dedica um capítulo próprio ao agronegócio e trata a mineração apenas de forma tangencial, sem meta numérica para nenhum dos dois setores.
O documento traz um tópico específico para o campo, com propostas como simplificar a emissão de licenças ambientais, ampliar irrigação e o uso eficiente da água, facilitar crédito pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), expandir a rede elétrica trifásica em áreas rurais e aumentar o policiamento contra invasão de terra.
O contraste com o discurso sobre mineração
Em julho, no Senado, Cleitinho defendeu cobrar mais imposto das mineradoras para compensar a redução do IPVA que promete se eleito, e chegou a dizer que empresas do setor lhe ofereceram dinheiro para desistir da proposta. No plano oficial, porém, a mineração aparece só dentro do eixo de crescimento econômico, sem a cobrança extra prometida no palanque: o texto fala em desenvolver uma “cadeia de maior valor agregado para terras raras e minerais estratégicos” e incentivar o reaproveitamento de rejeitos.
O documento que vale para a Justiça Eleitoral dá à mineração um parágrafo genérico, sem repetir a promessa de taxação que ele fez em discursos e entrevistas nos últimos meses.
A proposta de campanha também esbarra em um obstáculo técnico: a principal compensação da mineração para o poder público, a CFEM, segue regras federais, é administrada pela Agência Nacional de Mineração e tem distribuição definida em lei, com a maior parte destinada aos municípios produtores, não ao caixa do estado. Criar uma cobrança nova ou ampliar a arrecadação sem embate legal exigiria desenho técnico e base jurídica próprios, com risco de disputa judicial com as empresas.
O que o setor mineral cobra dos candidatos
Municípios mineradores, reunidos em agosto pela Amig Brasil no evento “Mineração em debate 2026” com candidatos ao governo e ao Senado, cobram a correção da desoneração prevista na Lei Kandir, que há mais de 20 anos isenta de ICMS o minério exportado. Segundo os representantes desses municípios, 83% do minério de ferro produzido no país é exportado e não gera esse imposto no mercado interno.
Luís Eduardo Falcão (Republicanos), coordenador da campanha de Cleitinho, confirmou a ênfase do plano no agro, citando a “fronteira agrícola dentro do estado”. O patrimônio declarado pelos 11 candidatos ao governo de MG, também registrado no TSE, varia de zero a R$ 13,3 milhões. Segundo o O Tempo, o agro superou a mineração em exportações mineiras nos últimos dois anos.
O que acontece agora
Cleitinho chegou a agosto na liderança da disputa pelo governo de MG segundo a Quaest, à frente em todos os cenários de segundo turno testados. O primeiro turno é em 4 de outubro, com segundo turno previsto para 25 de outubro, se necessário.


























