O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (17) que a Margem Equatorial brasileira pode suprir petróleo ao mundo se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiver o Estreito de Ormuz fechado. A fala ocorreu em visita ao navio-sonda que perfura o poço Morpho, no Amapá.

"Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos aqui, para o mundo inteiro, a Margem Equatorial", disse Lula.

O Estreito de Ormuz, ligação entre o golfo Pérsico e o mar de Omã, foi fechado pela Guarda Revolucionária do Irã em retaliação a ataques dos Estados Unidos e de Israel.

A rota é uma das principais do comércio mundial de energia. O fechamento já provocou alta no preço internacional do petróleo.

O poço Morpho fica no bloco FZA-M-59, cerca de 175 km da costa do Amapá, no município de Oiapoque. A Petrobras anunciou os indícios de petróleo na sexta-feira (14) anterior à visita presidencial.

A descoberta ainda está em fase exploratória. A estatal segue perfurando para confirmar volume, qualidade e viabilidade econômica da reserva. Ainda não há descoberta comercial declarada.

Lula classificou o óleo encontrado como "maravilhosamente puro" e comparou o achado ao pré-sal: "Isso aqui é novamente um passaporte para garantir um futuro mais tranquilo às famílias do povo brasileiro".

Quando o Brasil pode começar a produzir?

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que acompanhou a visita, estima que a produção na região pode começar em até sete anos. Também estiveram na comitiva o governador do Amapá, Clécio Luís, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A licença ambiental para explorar a região é resultado de uma disputa que já dura anos dentro do próprio governo.

O Ibama negou o pedido em 2023 por inconsistências técnicas de segurança e só liberou a perfuração em outubro de 2025, após pressão do setor energético.

Ambientalistas seguem céticos. Em nota à imprensa, a coordenadora da Frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, afirmou que "a detecção de hidrocarbonetos não é uma reserva, assim como um anúncio otimista não é um laudo de viabilidade técnica e econômica".

Andrade citou como riscos um vazamento de óleo que atingiu 3 mil km de litoral em 2019 e outro, menor, de 18 mil litros de fluido de perfuração, ocorrido em janeiro deste ano no mesmo local do poço Morpho.

A TV Sim Brasil já mostrou por que o petróleo do Amapá não resolve a crise de Ormuz agora. Mesmo com a fala otimista de Lula, o prazo de sete anos estimado pela própria Petrobras mantém a distância entre o discurso e a produção real.

O intervalo entre a fala e o primeiro barril

Entre a promessa presidencial e o primeiro barril extraído no Amapá, ficam sete anos de intervalo. A crise em Ormuz, essa, é de hoje.

O debate ambiental sobre a Foz do Amazonas também segue em aberto. O histórico de vazamentos que o próprio Greenpeace cita é o tipo de risco que só se mede depois que a produção começa.