A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá. O anúncio, feito em 17 de agosto pela presidente da estatal, Magda Chambriard, reacendeu a expectativa de um "novo pré-sal" no país.

"Tem petróleo, mas não sabemos quanto", resumiu Chambriard sobre a descoberta.

O poço fica em lâmina d'água de 2.886 metros e deve ser concluído entre 15 e 20 dias. A Petrobras já projeta outros três poços na mesma área e mais cinco em áreas adjacentes.

A operação do Morpho custa cerca de US$ 1 milhão por dia. Desde outubro de 2025, quando a perfuração começou, a Petrobras já gastou US$ 300 milhões só nesse poço.

Mesmo que as reservas se confirmem, a própria estatal projeta início de produção na Margem Equatorial em 7 a 8 anos. Não há, até aqui, estimativa pública de quanto óleo existe na região.

Cinco anos para conseguir a licença

A licença ambiental para perfurar o bloco FZA-M-59 só saiu em outubro de 2025. Antes disso, o Ibama havia negado pedidos semelhantes em 2018 e em 2023, citando inconsistências técnicas e dados insuficientes sobre fauna marinha.

A área é sensível: abriga os Recifes de Corais da Amazônia, descobertos em 2016, além de manguezais e a biodiversidade marinha da foz do maior rio do mundo.

Lula chegou a criticar publicamente a demora do órgão ambiental em aprovar o projeto.

A disputa que continua na Justiça

Em janeiro de 2026, um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido sintético durante a perfuração levou o Ibama a multar a Petrobras em R$ 2,5 milhões.

A Justiça Federal no Amapá negou pedido do Ministério Público Federal para paralisar as atividades mesmo depois do vazamento.

Em maio, o MPF recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região pedindo a suspensão imediata da licença. O recurso aponta fragilidades no Estudo de Impacto Ambiental e falta de consulta a comunidades tradicionais da região.

Até esta apuração, o TRF1 ainda não julgou o recurso.

O que fica em aberto

A Petrobras já projeta oito novos poços na região, entre a mesma área do Morpho e blocos vizinhos. Cada um deles vai precisar da mesma licença ambiental que levou cinco anos e passou por um vazamento no meio do caminho.

Resta saber se o ritmo de exploração que a estatal projeta é compatível com o ritmo em que a Justiça ainda decide se a primeira licença, a que já existe, deve continuar valendo.