O presidente Lula visitou nesta segunda-feira (17) o navio-sonda da Petrobras na Foz do Amazonas, no Amapá, e disse que o petróleo da região pode ser alternativa se Donald Trump fechar o Estreito de Ormuz. A descoberta foi anunciada em 14 de agosto, mas a Petrobras só estima começar a produzir ali daqui a sete anos.
O poço Morpho, no bloco FZA-M-59, fica a 175 km da costa do Amapá, em lâmina d'água de 2,9 mil metros. Magda Chambriard, presidente da Petrobras, projeta início de produção em sete anos.
Lula visitou o navio acompanhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na primeira agenda pública dos dois desde a reaproximação entre eles.
Lula disse que a Margem Equatorial pode suprir o mundo caso Trump feche o Estreito de Ormuz, chamando o petróleo encontrado de "maravilhosamente puro".
"Isso aqui é novamente um passaporte para garantir um futuro mais tranquilo às famílias do povo brasileiro", disse o presidente, comparando a descoberta ao anúncio do pré-sal em 2007.
O Estreito de Ormuz foi fechado pela Guarda Revolucionária do Irã em fevereiro, em retaliação a ataques dos EUA e de Israel. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa por ali.
Em 17 de agosto, Trump ameaçou bombardear Omã caso o país "atrapalhe" um acordo sobre o estreito. Três dias antes, já havia dito que pretende declarar Ormuz "território dos EUA".
A crise já chegou ao preço da gasolina no Brasil.
Quanto o fechamento de Ormuz já custou no Brasil
O petróleo Brent acumulou alta de 13,3% nos dois primeiros meses de 2026, com média de US$ 70,89 em fevereiro. Em março, superou os US$ 100; depois, ultrapassou os US$ 110.
Cada US$ 10 de alta no Brent eleva, em média, US$ 0,07 por litro o preço da gasolina nos postos brasileiros, sem impostos e câmbio.
Com o barril acima de US$ 110, a Petrobras enfrenta pressão de acionistas para reajustar preços, enquanto o governo tenta segurar via subsídios e redução da Cide.
A descoberta é fruto de uma disputa de cinco anos entre a Petrobras e o Ibama. Em 2023, o órgão ambiental negou a perfuração do bloco por inconsistências técnicas e falta de dados sobre a fauna marinha.
Lula chegou a chamar a negativa de "lenga-lenga". A licença só saiu depois de ajustes no projeto, sobretudo na estrutura de resposta a emergências.
Ambientalistas seguem céticos. A coordenadora do Greenpeace Mariana Andrade disse que "a detecção de hidrocarbonetos não é uma reserva, assim como um anúncio otimista não é um relatório de viabilidade técnica e econômica", e que o achado "está sendo vendido como conquista".
A entidade teme que um eventual vazamento atinja manguezais, áreas de pesca artesanal e até países vizinhos, dada a força das correntes marinhas da região.
Sete anos é rápido ou devagar demais
A crise em Ormuz já pressiona o preço dos combustíveis no Brasil. A produção na Foz do Amazonas, mesmo com a licença aprovada, só deve começar daqui a sete anos.
Fica a pergunta se a Margem Equatorial chega a tempo de ser a resposta que o governo promete, ou se o Brasil vai precisar enfrentar a próxima crise do petróleo do mesmo jeito que enfrentou esta: comprando caro enquanto o poço não sai do papel.


























