O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu por três dias, até esta sexta-feira (21), a tarifa de 50% sobre produtos do Canadá que entraria em vigor nesta quarta (19). A pausa veio horas antes do prazo, depois de Trump anunciar que os dois países têm "um acordo" sujeito à finalização de documentos.
"Suspendi as tarifas de 50% contra o Canadá (...) por um período de três dias, com base no fato de que Canadá e Estados Unidos, condicionados à finalização dos documentos, têm um ACORDO!", escreveu Trump na rede Truth Social na noite de terça-feira (18).
O premiê canadense, Mark Carney, confirmou a pausa "até o dia 21 de agosto" e reconheceu "avanços significativos" nas conversas, mas disse que ainda falta trabalho importante pela frente.
Segundo o Jornal do Comércio, a tarifa era baseada na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, resposta a um tratamento que Washington classificou como discriminatório contra produtos americanos.
A medida abrangeria cerca de US$ 20 bilhões em importações do Canadá, o equivalente a 5,5% das exportações do país aos Estados Unidos, segundo estimativa da consultoria Oxford Economics citada pelo Correio Braziliense.
O acordo, porém, ainda não está fechado.
O que muda para o tarifaço brasileiro
O caso do Canadá reacende a pergunta sobre o Brasil, que segue sob tarifa acumulada de 37,5% sobre parte das exportações aos Estados Unidos desde julho. Segundo a Agência Brasil, a sobretaxa atinge US$ 6,6 bilhões em produtos como máquinas, calçados, móveis e confecções.
As exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, retração de 13% ante o mesmo período do ano anterior.
Do total exportado, 16,5% carrega a tarifa acumulada de 37,5%. Outra fatia de 24,2% segue sob as tarifas setoriais da Seção 232, em vigor desde antes do pacote de julho.
De acordo com o Correio Braziliense, o Itamaraty concluiu, após o pacote anunciado pela Casa Branca em 23 de julho, que as negociações conduzidas nas semanas anteriores serviram apenas para cumprir tabela, sem avanço real.
Segundo a Agência Brasil, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, atribuiu a falta de acordo ao que chamou de "ego" do presidente Lula.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, respondeu que o que Rubio chamou de ego era "a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e dos nossos trabalhadores".
Enquanto o Canadá resolveu 5,5% de suas exportações aos EUA numa pausa de três dias, o Brasil carrega desde julho uma tarifa que soma US$ 6,6 bilhões em vendas sem nenhuma reunião bilateral marcada com Washington.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a prioridade é ampliar a lista de produtos com exceção e negociar redução das alíquotas.
Segundo ele, se os EUA não procurarem o Brasil, a iniciativa de retomar o diálogo partirá da equipe brasileira.
Quando o Brasil pode ter sua vez
O padrão que Trump aplicou ao Canadá, pressão até a véspera do prazo seguida de pausa condicionada à "finalização de documentos", ainda não apareceu nas tratativas com o Brasil.
A diferença é que Ottawa tinha conversas avançadas o suficiente para anunciar avanço. Brasília, pelo próprio relato do Itamaraty, saiu de julho sem elas.
Enquanto isso não muda, os US$ 6,6 bilhões sob tarifa de 37,5% seguem sem data para negociação.


























