O Ibovespa operava em alta de 2,41% nesta quarta-feira (19), interrompendo uma sequência de 11 pregões consecutivos de perdas, a pior desde 2023. Por volta das 11h20, o dólar recuava 0,79%, cotado a R$ 5,17. O gatilho foi o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de dobrar a recompra de títulos de longo prazo.
Segundo o Tesouro americano, o volume das operações de recompra de títulos longos vai passar de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
A medida vale para os setores de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos, entre 9 de setembro e 4 de novembro.
"Quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos", explicou Rebecca Nossig, estrategista de renda variável da Nomad.
"Como o preço e a taxa de retorno caminham em direções opostas, essa recompra força os yields para baixo", completou. "O Ibovespa opera com otimismo, registrando uma expressiva alta, impulsionado pelas blue chips."
Por que a bolsa vinha caindo havia 11 pregões
Antes da reação desta quarta, o Ibovespa acumulava queda de 6,55% em 11 pregões seguidos, a maior sequência de perdas diárias consecutivas desde 2023. Até a última sexta-feira (14), o fluxo de investidores estrangeiros no mês estava negativo em R$ 18,1 bilhões.
Foi justamente esse fluxo que se inverteu com o anúncio americano. Entre as blue chips, a Vale subia 2,8%, acompanhando a alta do minério de ferro, e a Petrobras avançava 3%, beneficiada pela alta do petróleo.
Segundo o analista Gabriel Mollo, o mercado segue dividido entre a leitura de desaceleração da atividade, que favoreceria cortes da Selic, e o aumento do prêmio de risco pelas incertezas fiscal e eleitoral.
O alívio é de fora, não de dentro
Nossig pondera que a recuperação tem origem externa. "Ativos brasileiros encontraram um importante alívio em suas performances", disse, mas o cenário macroeconômico ainda exige cautela por conta das "incertezas fiscais domésticas, perspectiva de juros elevados por mais tempo, eleições e tensões geopolíticas".
Na leitura do mercado, o capital estrangeiro voltou pela liquidez americana, não porque os fundamentos brasileiros melhoraram.
No pregão anterior, o Ibovespa havia fechado em queda de 0,27%, aos 166.335 pontos, e o dólar recuara 0,40%, a R$ 5,22.


























