O Tesouro dos Estados Unidos dobrou, nesta quarta-feira (19), o teto de recompra de títulos longos, de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação, até 4 de novembro. A medida do secretário Scott Bessent respondeu ao rendimento do Treasury de 30 anos, que bateu 5,34%, o maior nível em 19 anos.

O aumento soma pelo menos US$ 14 bilhões em liquidez nos segmentos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos. Segundo comunicado do Tesouro americano, a decisão "reflete o desejo de fornecer maior suporte de liquidez em setores nominais de longo prazo".

A recompra tira papel de circulação, o que ajuda a segurar o preço dos títulos e reduzir o rendimento que o governo paga para se financiar.

A alta dos juros longos reflete preocupações com a escalada da tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã e com o tamanho da dívida pública americana, que já passa de US$ 40 trilhões.

É o maior nível do título de 30 anos desde 2007, no auge da crise financeira global.

Nem todo analista lê o movimento do mesmo jeito. Para Dan Gottlander, do banco Citi, "isso terá um grande impacto a longo prazo".

O que muda para o mercado brasileiro?

Nesta quinta-feira (20), o dólar brasileiro abre em alta de 0,23%, a R$ 5,1884, e o mercado local também monitora o movimento dos Treasuries.

Na véspera, a moeda americana recuou 0,87% no Brasil, a R$ 5,176, e o Ibovespa subiu 0,90%, a 167.830,27 pontos. O índice DXY, que mede a força do dólar global, recuou 0,85%, a 98,81 pontos, no mesmo pregão.

A pressão sobre os ativos brasileiros hoje, porém, vem de outra frente: incertezas sobre as eleições de outubro, as contas públicas e a saída de capital estrangeiro em agosto pesam mais no pregão local.

O alívio nos juros americanos é só mais um fator monitorado, não a causa isolada do movimento local.

O que o alívio nos EUA não resolve

A recompra ataca o sintoma mais visível, a disparada dos juros longos, mas não muda o tamanho da dívida pública nem a tensão no Oriente Médio que ajudou a inflar os rendimentos.

A operação vale até 4 de novembro. O que acontece com os juros depois dessa data é a pergunta que o anúncio de Bessent não responde.