O Federal Reserve (Fed) divulgou nesta quarta-feira (19) a ata da reunião de 28 e 29 de julho, quando o FOMC decidiu manter os juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% ao ano por 9 votos a 3. O documento mostra que a resistência à queda de juros foi maior do que a votação sugere.
Os três votos contrários vieram de presidentes de bancos regionais do Fed, Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis) e Lorie Logan (Dallas).
Os três defenderam elevar a taxa em 0,25 ponto percentual, citando a inflação americana, que segue acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
É a primeira vez desde setembro de 2016 que três dirigentes do FOMC discordam na mesma direção. A ata revela ainda que o racha foi além desses três nomes.
Outros participantes da reunião também cogitaram apoiar a alta de juros, embora no fim tenham ficado com a manutenção.
O economista James Knightley, do banco ING, avalia que o documento veio mais hawkish, ou seja, mais favorável a juros altos, por causa dos três votos dissidentes. Ele pondera, porém, que o cenário atual ainda não justifica uma alta de juros agora.
Do lado político, o presidente Donald Trump segue pressionando o Fed na direção oposta, defendendo cortes de juros para estimular a economia americana. O contraste ajuda a explicar por que o mercado leu a ata de forma tão disputada.
Quando o Fed decide de novo sobre os juros?
A próxima reunião do FOMC está marcada para 16 de setembro. Segundo a ferramenta CME FedWatch, que mede a aposta do mercado financeiro, a chance de o Fed manter a taxa atual nessa reunião é de 67,2%, contra 32,8% de chance de alta.
No Brasil, a reação imediata foi positiva. O Ibovespa fechou em alta de 0,90%, aos 167.830,27 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,1766.
O pregão também foi puxado pelo alívio nos títulos do Tesouro americano, que ajudou a romper a sequência de 11 pregões seguidos de queda na Bolsa brasileira.
O timing importa para o brasileiro porque o Copom já cortou a Selic de 14,25% para 14% ao ano na reunião de 4 e 5 de agosto, e volta a decidir em 15 e 16 de setembro, um dia depois da reunião do Fed.
Para o economista Alexandre Chaia, do Insper, o cenário brasileiro é diferente do americano e do europeu. Enquanto lá se discute alta de juros por causa da inflação persistente, no Brasil o debate gira em torno de até onde a Selic ainda pode cair.
Antes da divulgação da ata, analistas de mercado projetavam que a Selic pode fechar 2026 em 13,50% ao ano. Um novo corte depende de os próximos dados de inflação, nos dois países, confirmarem a trajetória esperada.


























