Os Estados Unidos e a China fecharam, na noite desta sexta-feira (25), um acordo de alívio tarifário para US$ 30 bilhões em produtos não sensíveis. O anúncio veio da Casa Branca após a cúpula em Washington, entre Donald Trump e Xi Jinping.

Segundo a Casa Branca, os dois países lançaram um grupo de trabalho para tratar de barreiras do mercado agrícola. Foi o primeiro encontro entre os líderes na capital americana em mais de dez anos. A trégua vale até janeiro de 2027.

O texto também trata do fornecimento de minerais críticos à indústria americana.

Como fica a soja brasileira?

A soja brasileira segue à frente na disputa pelo mercado chinês. Em junho, o Brasil forneceu 12,075 milhões de toneladas dos 13,554 milhões de toneladas importados pela China, quase 90% do total, contra 1,26 milhão de toneladas vendidas pelos Estados Unidos no mesmo mês.

A China se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028, meta que se soma ao acordo anunciado nesta cúpula e que ainda depende de a China de fato cumprir o volume prometido aos produtores dos Estados Unidos.

"Apesar da retomada do negócio, ainda há dúvidas se o país asiático vai cumprir", afirmou o consultor Carlos Cogo, da Cogo Inteligência, sobre a meta chinesa de compra da soja americana.

Cogo lembra que existe um intervalo considerável entre os anúncios de vendas, os embarques efetivos e a chegada da soja aos portos chineses. Ele também destaca que o mercado segue sensível ao clima nos meses de julho e agosto.

A China já antecipou a compra de 9,04 milhões de toneladas da safra brasileira de 2026/27, volume fornecido pelo Brasil antes da entressafra. O movimento contrasta com a redução de compras chinesas de soja do Brasil registrada após a trégua com os EUA.

A soja brasileira é negociada entre US$ 0,50 e US$ 0,60 por bushel abaixo do preço da soja americana. O custo de produção no Brasil também é cerca de US$ 1,20 por bushel menor que nos Estados Unidos.

Isso mantém o produto brasileiro competitivo mesmo com o avanço do acordo entre Washington e Pequim. O tema já motivou análise sobre a dependência do setor brasileiro do entendimento entre Xi e Trump.

O que acontece agora

O grupo de trabalho ainda vai detalhar, antes do fim da trégua em janeiro de 2027, quais barreiras agrícolas serão de fato reduzidas nas exportações dos dois países.

Tradicionalmente, a partir de setembro os compradores chineses migram parte das compras da soja brasileira para a americana, por causa da sazonalidade das duas safras. O Brasil, porém, ainda concentra a maior fatia do mercado chinês neste ano.

O Brasil negocia separadamente com os Estados Unidos a redução do tarifaço sobre produtos brasileiros, disputa que já teve a primeira reunião presencial marcada entre os dois países antes da cúpula com a China.