O Brasil vai liberalizar 97% do comércio com os quatro países da EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) a partir de 1º de outubro, quando entra em vigor o acordo de livre comércio promulgado por decreto em 23 de setembro.

Outros 1,2% do comércio terão desgravação parcial, por cotas ou preferências fixas. O impacto estimado do acordo é um incremento de US$ 7,2 bilhões nas trocas comerciais entre os blocos.

O que o Brasil ganha com o acordo?

Produtores brasileiros de carne bovina, aves, suína, milho, farelo de soja, mel, café torrado, arroz, frutas e sucos ganham novas condições de acesso ao mercado europeu. A EFTA elimina, de imediato, 100% das tarifas para produtos industriais e pesqueiros do Mercosul.

A EFTA reúne cerca de 14,2 milhões de habitantes. A Suíça é o país mais populoso do bloco, com 8,5 milhões, mas o grupo soma um PIB da ordem de US$ 1 trilhão, um dos maiores per capita do mundo.

Por que o Brasil buscou esse acordo agora?

O acordo chega em um momento de fragilidade para as exportações brasileiras de carne à China. Em agosto, as vendas caíram 26% com o tarifaço chinês, e, em setembro, despencaram 88% após o fim de uma cota.

O tarifaço chinês já rendeu cobertura própria: ele derrubou as exportações de carne bovina em agosto.

Já o fim de uma cota aprofundou a queda das vendas à China em setembro.

A negociação já vinha de anos: a Câmara dos Deputados aprovou o texto do acordo em junho, e o Brasil ratificou o compromisso em julho.

O ponto em aberto

O novo mercado é rico, mas pequeno: os 14,2 milhões de habitantes da EFTA são menos de um décimo da população da China, o maior comprador de carne bovina do Brasil. A abertura diversifica destinos, mas dificilmente compensa o espaço perdido com o tarifaço chinês.