O presidente chinês Xi Jinping é recebido nesta quinta-feira (24) na Casa Branca por Donald Trump, em visita que inclui apresentações militares e um jantar de Estado. Na véspera, Xi defendeu que os dois países sejam "parceiros, e não rivais".

O que a cúpula tem a ver com o Brasil?

O comércio de soja está em jogo nas conversas entre as duas maiores economias do mundo, e o Brasil está do outro lado do tabuleiro, sem assento na mesa. Hoje, 75% da soja que a China importa vem do Brasil, diz a Abiove.

Em outubro do ano passado, a China se comprometeu a comprar dos EUA 25 milhões de toneladas de soja por ano até 2028. Cada tonelada que muda de fornecedor é uma tonelada a menos saindo de um porto brasileiro.

O Brasil já sente o efeito?

Os sinais ainda são mistos. Entre janeiro e agosto, a exportação brasileira de soja subiu 5%, para 55,14 milhões de toneladas, enquanto a americana para a China caiu 34% no mesmo período, segundo dados citados pela CNN Brasil.

Mas o vento pode estar virando: inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos subiram 11,6% numa única semana, e a Abiove já reduziu a previsão de exportação do Brasil para 2026.

André Nassar, presidente-executivo da Abiove, ainda assim mantém o otimismo: "o comércio de soja está muito positivo para o Brasil, mesmo com as movimentações entre Washington e Pequim", disse.

Já Yedda Monteiro, especialista em inteligência de mercado da Biond Agro, pede cautela. "Uma eventual negociação entre Washington e Pequim não deve representar uma substituição imediata da soja brasileira, mas pode sim alterar a distribuição das compras e afetar os nossos preços", afirmou.

Do lado chinês, as processadoras privadas enfrentam escassez de soja prevista para o quarto trimestre: só 4,8 milhões de toneladas estão reservadas para novembro, cerca de 60% da demanda projetada.

Há ainda um terceiro concorrente ganhando espaço: a Argentina, que aumentou suas vendas de soja à China em 92,4% em 2025, salto de 7,9 milhões de toneladas.

O ponto em aberto

A cúpula ocorre 4 meses depois de outro encontro entre os dois em Pequim, que não trouxe avanço relevante em agro. A soja segue como moeda de troca num tabuleiro que inclui Taiwan e armas.

O Brasil exporta mais soja à China do que qualquer outro país do mundo, mas não senta à mesa onde EUA e China decidem os termos desse comércio.

O resultado da visita de Xi a Washington, incluindo o que sair sobre soja, vai chegar ao produtor brasileiro só depois de decidido por outros dois países.