A Meta anunciou o Muse Charm, um chaveiro com tela e inteligência artificial que lembra um Tamagotchi dos anos 1990, com lançamento previsto para dezembro. O produto chega um mês depois de a empresa fechar acordo de US$ 18 bilhões nos Estados Unidos.

O acordo, fechado em 26 de agosto, encerrou processos que acusavam a Meta de colocar em risco a segurança e a saúde mental de crianças e adolescentes no Instagram e no Facebook.

Os estados americanos acusavam a empresa de desenvolver o Instagram com recursos que aumentam o engajamento de menores mesmo conhecendo os riscos, com mecanismos considerados viciantes e coleta de dados de crianças sem consentimento dos pais.

A Meta contesta as acusações, e o acordo não representa admissão de culpa.

Como parte do entendimento, a empresa aceitou limite diário de duas horas somando Instagram e Facebook para usuários de 13 a 17 anos. Também vale o bloqueio de recursos durante a madrugada e menos notificações em horário escolar.

Como funciona o Muse Charm?

O Muse Charm tem o tamanho de um estojo de fones sem fio, com tela sensível ao toque de cerca de 2 polegadas, câmera frontal, microfones, conexão 5G própria, Wi-Fi e um avatar animado chamado Jolly. O preço ainda não foi definido.

Zuckerberg disse que a empresa empacotou bastante tecnologia dentro do aparelho, e que ele seria a forma mais rápida de acessar o Muse, o agente de IA pessoal da empresa, sem depender de óculos ou celular.

Analistas apontam que o formato compacto e nostálgico do aparelho pode atrair justamente o público mais jovem, num momento em que câmeras digitais e outros gadgets antigos voltaram à moda. Não há confirmação de que o Muse Charm chegará ao Brasil, nem quando.

É mais um capítulo de um problema que já rendeu comparação entre a resposta dos EUA à Meta e a fiscalização brasileira sobre plataformas digitais. A Meta também enfrentou críticas recentes por outro produto de hardware com IA, os óculos inteligentes.

O ponto em aberto

Se o Muse Charm chegar ao Brasil, vai esbarrar no ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março. A lei exige proteção a crianças e adolescentes desde a concepção do produto, sob fiscalização da ANPD.

A mesma lei já motivou denúncias contra outro hardware de IA da própria Meta no país.

A pergunta que fica é se um gadget pensado para lembrar um brinquedo dos anos 1990, mas equipado com câmera, microfone e IA conversacional, seria aprovado pelas mesmas regras de proteção que a própria Meta acabou de aceitar cumprir nos Estados Unidos.